terça-feira, 30 de março de 2010

Gotan Project nos Coliseus em Maio



Os Gotan Project, a banda que renovou a popularidade do tango argentino, através do seu cruzamento com a electrónica, passará por Portugal na sua próxima digressão. Visita habitual, o trio de Philippe Cohen-Solal, Cristoph Müller e Eduardo Makaroff passa pelo Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 7 de Maio, e pelo Coliseu do Porto no dia seguinte.
Baseado em Paris, o grupo transformou-se em fenómeno de popularidade em 2001, com a edição do álbum de estreia "La Revancha Del Tango". "Lunático", o segundo, surgiu cinco anos depois. Quando actuarem nos Coliseus, o público já conhecerá o terceiro disco do trio, "Tango 3.0", com edição marcada para 17 de Abril.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Prémio Portugal Telecom de Literatura Portuguesa


A oitava edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura Portuguesa será disputada por 408 livros de quatro países lusófonos. "Caim", de José Saramago, "Avenida Paulista", de João Pereira Coutinho, "Boa noite, Sr. Soares", de Mário Cláudio, "O meu nome é legião", " Que Cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?" de António Lobo Antunes e "Poemas do Brasil" de Maria Teresa Horta são algumas das obras portuguesas inscritas.
Entre os inscritos há 12 livros portugueses (sete romances, três de poesia, um de contos e um de crónicas), dois romances angolanos, um romance moçambicano e 393 obras brasileiras. Entre os portugueses contam-se ainda "Das estações entre portas", de Joana Ruas e "O Sétimo Selo" de José Rodrigues dos Santos.
Nos brasileiros destacam-se "A Cidade Ilhada" de Milton Hatoum, "As Vozes do Sótão" de Paulo Rodrigues, "Coração Andarilho" de Nélida Piñon, "Estive em Lisboa e lembrei de você", de Luiz Ruffato, "Leite Derramado" de Chico Buarque, "Miguel e os Demónios" de Lourenço Mutarelli, "O Albatroz Azul" de João Ubaldo Ribeiro, "O Seminarista" de Rubem Fonseca, "Os Espiões" de Fernando Veríssimo e "O Filho da Mãe" de Bernardo Carvalho.
Entre as obras africanas inscritas estão "Barroco Tropical", de José Eduardo Agualusa, "Avô 19 e o segredo do soviético", de Ondjaki e "Antes de nascer o mundo", de Mia Couto ("Jesusalém" é o título do livro em Portugal).
Formado por professores, críticos literários, escritores e pelos comissários do galardão, o júri escolherá os 50 primeiros finalistas, que serão conhecidos no final de Abril.
Em Agosto, os jurados anunciarão os dez finalistas, que disputarão os três principais prémios a 8 de Novembro em São Paulo. O prémio, que no ano passado teve mais de 500 obras inscritas, distinguirá romances, contos, poesias, crónicas, dramaturgias e autobiografias, escritos originalmente em língua portuguesa, com primeira edição no Brasil, entre 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2009. Participam igualmente obras com primeira edição no estrangeiro, entre 1 de janeiro de 2006 e 31 de dezembro de 2009, desde que tenham tido a primeira edição no Brasil em 2009.
No ano passado, o escritor brasileiro Nuno Ramos, autor do livro "Ó", venceu o Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. Os também autores brasileiros João Gilberto Noll, com "Acenos e Afagos", e Lourenço Mutarelli, com "A Arte de Produzir Efeito sem Causa", ficaram em segundo e terceiro lugares, respetivamente.

domingo, 28 de março de 2010

Filme sobre "Três de Angola" denuncia sistema judicial dos EUA


É a maior prisão dos Estados Unidos e foi em tempos a mais violenta. Os prisioneiros envolviam-se em frequentes lutas instigadas pelos guardas que, por sua vez, abusavam sexualmente dos mais vulneráveis. São tenebrosas as histórias que os ex-prisioneiros contam das condições vividas na penitenciária do estado da Louisiana, sobretudo nos anos 1970, quando Herman Wallace, Albert Woodfox e Robert King lá chegaram.
É também tenebrosa a história destes três homens, contada no documentário "In the Land of the Free", do realizador britânico Vadim Jean, que se estreia hoje nas salas dos EUA e do Reino Unido, depois de anteontem ter sido visto no Festival de Cinema Internacional da Human Rights Watch.
O filme, narrado pelo actor Samuel L. Jackson, é um verdadeiro manifesto político, com o objectivo assumido de levar à libertação de dois dos "Três de Angola" que continuam nesta prisão de alta segurança, também conhecida por "Angola Prison" (foram escravos vindos de Angola a iniciar a sua construção).
Herman Wallace, Albert Woodfox e Robert King foram condenados por homicídio de um guarda prisional, Brent Miller em 1972 - sem provas e sem testemunhas . Por decisão das autoridades da prisão, foram colocados em regime de total isolamento num cubículo de três por quatro metros e sem quase nunca poderem ver a luz do dia. Apenas saíram desse regime em 2008.
Wallace, Woodfox e King estavam, na altura da condenação, envolvidos no movimento cívico Black Panther. Antes de verem os seus nomes implicados na morte de Miller, Wallace e Woodfox organizavam sessões de ideologia política onde denunciavam e convidavam os seus companheiros a denunciar as injustiças, numa tentativa de pôr fim aos abusos sexuais dentro da cadeia. Queriam aplicar em "Angola Prison" aquilo que o movimento tentava aplicar fora dela: os direitos cívicos de todos e, em particular, dos negros.
Quando foi condenado, Robert King não estava ainda na prisão, mas foi mesmo assim acusado de conspirar do exterior para matar o guarda Miller. King viu a sua condenação anulada em 2001 e desde então tem lutado para obter a libertação dos seus dois companheiros.
Anos antes, em 1993, também Woodfox apresentou recurso e foi de novo julgado. Mas nem mesmo a confirmação de que não era sua a impressão digital encontrada no corpo da vítima o livrou de nova condenação e do reenvio para a cela de isolamento. Só em 2008 viu a sua condenação anulada, mas até hoje não foi libertado. Aguarda a decisão do procurador do estado de Louisiana para saber se tem de ir de novo a julgamento.
O "trailer" de apresentação do documentário pode ser visto na Internet e não deixa dúvidas. Nele vê-se a própria viúva do guarda da prisão assassinado há 38 anos a pedir a libertação de Wallace e Woodfox, para pôr fim ao calvário de dois homens que ela própria diz serem inocentes.
Ao pôr a nu o choque, ainda hoje existente, entre a realidade norte-americana e os ideais de liberdade do país, "In the Land of the Free" lembra as violações dos direitos humanos dos últimos anos na base americana de Guantánamo e na prisão de Abu Ghraib que os EUA mantiveram durante anos no Iraque.
Este não é pois apenas um filme sobre um erro judiciário. "Em nenhum país do mundo os presos ficam em regime de isolamento mais de três décadas", lamenta o congressista democrata John Conyers, do Comité Judiciário, que tem visitado Wallace e Woodfox na cadeia. No fim do "trailer", um convite: "Veja este filme." Pausa. "Porque eles não vão poder."

sábado, 27 de março de 2010

Dia Mundial do Teatro


"É irrepetível e absolutamente efémero: isso é que é fantástico, é o mistério do teatro! Não fica nada, só a memória do público, que entretanto vai morrendo..."

Hit the road Jack



sexta-feira, 26 de março de 2010

Água com...

Mexe e remexe a colher
Águas passadas pela torneira
Pressionadas pela mão matinal que a abre.
Água com café...
Bebe-se chá de noite para passear em repetição dormente
Jasmim camomila e alecrim...
Passeio num qualquer jardim.
Contigo,sem tigo, como um figo...
Mastigo. Visito. Grito. Misturo conflitos. Pinto salpicos.
Vejo-os aflitos e sorrio.
O tempo brinca sempre sozinho. É tão traquina.

quinta-feira, 25 de março de 2010

"Ne Change Rien", de Pedro Costa, em digressão americana


"Ne Change Rien", a obra ao negro que Pedro Costa fez sobre a música da francesa Jeanne Balibar, vai ter estreia em Outubro nos EUA, onde vai ser objecto de uma verdadeira digressão: Nova Iorque, Los Angeles, Seattle, Filadélfia, Washington, Boston, São Francisco... Tal como aconteceu com a em Portugal e França, a apresentação do filme far-se-á acompanhar por uma agenda de concertos dados pela actriz. A antestreia do filme está marcada para o início de Setembro, no festival independente All Tomorrow's Parties, em Monticello, no estado de Nova Iorque. O "curator" convidado desta edição é o cineasta americano Jim Jarmusch, a quem caberá programar o último dia do festival, 5 de Setembro. Ao longo dos três dias haverá também programação de cinema, a cargo da Criterion, a produtora de DVD que vai editar, no final deste mês, uma caixa com três filmes de Costa: "Ossos", "No Quarto da Vanda" e "Juventude em Marcha".

quarta-feira, 24 de março de 2010

Leilão de gravuras de Paula Rego rende 11,5 mil euros


O leilão de nove gravuras inspiradas em histórias infantis de Paula Rego, na Christie's em Londres, rendeu perto de 11,5 mil euros, superando as estimativas. Apenas uma ficou por vender.
A maioria das gravuras faz parte de duas séries, "Nursery Rhymes", que se inspiram em histórias infantis inglesas, e "Peter Pan", em referência ao popular livro de J.M. Barrie.
As imagens terão sido produzidas após Paula Rego se ter tornado avó, o que voltou a despertar o seu interesse por estas histórias, algumas das quais já conhecia da própria infância.
Do leilão faziam também parte duas gravuras individuais, uma das quais a preto e branco intitulada "Secrets and Stories", de 1989, cuja estimativa, entre 1650 euros e 1980 euros, era a mais elevada e que foi arrematada por 2353 euros.
Outra gravura colorida chamada "O'Vinho", de 2007, não encontrou comprador na venda, que se realizou na quarta feira na Christie's.
Apesar da temática infantil, as gravuras em leilão são sobretudo reinterpretações da artista e não se destinaram a ilustrar as histórias. Os compradores, explicou a especialista Alexandra Gill, directora do departamento de gravuras da leiloeira Christie's, à Lusa, são normalmente coleccionadores que querem completar as séries de gravuras da artista com a mesma temática.

terça-feira, 23 de março de 2010

Elvis Costello e Corinne Bailey Rae no CoolJazzFest


Em Julho, Elvis Costello e Corinne Bailey Rae desembarcam em Cascais para participar no festival CoolJazzFest. Costello actua dia 28 de Julho e Corinne Bailey Rae a 24.
Estes são os primeiros nomes conhecidos do cartaz, estando os bilhetes já à venda.

domingo, 21 de março de 2010


Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…

É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma e sangue e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)


Aniversário


Felicitações sem limite para a minha mãe Judite.

sábado, 20 de março de 2010

Estendais de Alfama

As janelas,
Abertas namoram o Tejo
Entreabertas suspiram de manjerico em manjerico o desejo
Fechadas anseiam como quem ama
Todas elas arranjadas pelas ruas de Alfama.
Usam ao pescoço um colar,
Colar enfeitado, estendal recheado.
Cada uma com um mais arranjado
Parece disputa e concurso sem vencedor premiado.
Estendais de todos os tamanhos,
Molas coloridas,
Roupas estendidas,
Estendais...
Estendem saias, camisolas, calças e aventais,
Muitas meias e cuecas
Todos os tamanhos e todas as cores...
Brancos, escuros, coloridos...
Toda a roupa molhada de mãos dadas com as molas
Secam ao vento em Lisboa.
Dança com o vento em coreografia desalinhada
De mãos dadas e de mola em mola apertadas.
Molas de todas as cores
Que parecem guardar sabores
Sabe a morango a vermelha,
E com a camisola dança um tango.
A verde sabe a maça
E segura uma meia de tamanho anã,
A azul,como a água, quase que me mata a sede
E segura uma espécie de rede...
É um xaile e ambos dançam como se estivessem num baile.
A mola amarela, pelo sol já descolorada,
Deve saber a banana.
Pesados devem ser os lençóis que segura.
As janelas deslumbram o Tejo
Na ânsia de um olhar, de um pedido de namoro...
A roupa do estendal observa, sorri, dança e conversa.
Gosta de ouvir a tagarelice das vizinhas,
As risadas das crianças que no largo jogam à bola.
O sino da Igreja começa a tocar,
Os cães na rua começam a ladrar,
E o gato que espreita mia sem parar...
Cheiram o ar de uma Lisboa que amanhece,
Cheiram o ar que a roupa vai secar...
A roupa do estendal vê os turistas a passear,
Quase que lhes sorri a cada barulho inerente ao fotografar...
A roupa olha para o Tejo ansiosa por mergulhar,
Talvez os seus remotos passados fossem lavados lá...
Ela não.
A roupa já não é lavada à mão.
Desgostosa roupa que não gosta da rapidez com que a lavam
Banho colectivo num buraco escuro,
Rodopiam, rodopiam e rodopiam
Trambolhão em trambolhão...
Até alguém carregar num botão.
Contudo, felizes estão,
Ainda respiram no estendal. Menos mal!
Ao menos ainda secam com a brisa de um Tejo que as olha, mesmo que desatento.
O calção já preveniu a camisa.
Algumas outras roupas são estendidas por toda a cidade dentro de casa.
Outras nem estendidas são. Secam logo após a lavagem.
Como? Pergunta assustada a camisa.
No mesmo buraco escuro, secagem colectiva.
É verdade. Garante o calção.
Que grande confusão, desabafa a camisa.
A roupa de Alfama gosta de enfeitar o colar das janelas,
De falar às vizinhas,
De apanhar sol,
De respirar Lisboa,
Gosta deste descanso,
Gosta de viver a observar.
Antes de aqui chegar, vivem Lisboa à pressa.
Passa rapidamente por toda a gente,
Triste por não ver nada.
Não observa e observar sabe-lhe tão bem.
Sabe sempre a batido de vários sabores
Saborear a namorar...bem devagar.
A roupa de Alfama vive Lisboa devagar.
Quem passa depressa por Lisboa não é lisboeta.
Lisboa não gosta de ser atravessada,
Gosta que a vivam,
E a roupa do estendal sabe disso...

sexta-feira, 19 de março de 2010

A surpresa de Handa


Num cenário africano, muito colorido, conta-se a história de uma menina que quer fazer uma surpresa a outra. Handa enche um cesto de frutas e põe-se a caminho da aldeia da amiga, enquanto vai pensando em qual será o fruto preferido de Akeyo. Durante o percurso, o leitor é informado da forma e da cor das sete frutas que estão no cesto, transportado à cabeça: banana (“amarelinha e macia”), goiaba (“de cheiro doce”), laranja (“redonda e sumarenta”), manga (“vermelha e madurinha”), ananás (“de folhas aguçadas”), abacate (“verde e macio”) e maracujá (“roxo e cheiroso”). O insólito e divertido desta história está no facto de Handa chegar junto da amiga sem qualquer uma destas frutas. E ainda bem. É que Akeyo, afinal, gosta mesmo é de tangerinas. Para saber como o cesto se encheu desses citrinos cor de laranja, é preciso ler/ver o livro. Uma surpresa. (aqui)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ney Matogrosso


Dois anos depois de apresentar o espectáculo “Os Inclassificáveis”, no que foi um regresso ao rock dos Secos & Molhados, a banda onde se celebrizou na década de 1970, o cantor de Bela Vista, Mato Grosso do Sul, operou nova transformação. “Beijo Bandido”, o álbum que traz aos Coliseus, é uma viagem personalizada pelo cancioneiro brasileiro, nos antípodas da exuberância tropicalista de “Os Inclassificáveis”.
O concerto, sóbrio, vem sendo descrito como próximo do recital. Acompanhado pelo pianista Leandro Braga, pelo violoncelista e guitarrista Lui Coimbra, por Ricardo Amado no violino e bandolim e Felipe Roseno na percussão, Ney Matogrosso interpretará temas como “Medo de amar”, de Vinícius de Moraes, “A Bela e a fera”, de Chico Buarque e Edu Lobo ou “Mulher sem razão”, da autoria de Cazuza, Dé e Bebel Gilberto.
A 2 de Maio no Coliseu dos Recreios.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amar é Complicado


Amar… É Complicado agrada pela leveza e apesar de estar rodeado de lugares comuns conseguiu ser nomeado para o Globo de Ouro de Melhor Argumento e Melhor Filme de Comédia. O filme é despretensioso e simples, mas acaba por seguir a típica fórmula da comédia romântica com alguns momentos divertidos e de qualidade, com bastante classe e alguns agradavelmente subtis.
A relação a que assistimos e que é assim exposta ao longo de todo o filme é, tal como o título o indica, bastante complicada. Porque nenhuma relação é simples, esta não deixa de ser ainda mais complexa precisamente por nem ser uma relação propriamente dita.Todo o filme gira em torno dessa complexidade de quem se sente carente e com a neurose própria dos filmes de Nancy Meyers.
Mas essa estrutura típica é salva pelos desempenhos do trio de actores veteranos: ganharam o prémio de Melhor Elenco pelo National Board Review. Meryl Streep continua fantástica, independentemente do estilo de filme que faz, mas apesar da sua nomeação para o Globo de Ouro de Melhor Actriz de Comédia por este filme, não deixa de ficar aquém de trabalhos anteriores. Contudo, o seu carisma garante divertidos momentos ao longo de duas horas. Alec Baldwin tem um desempenho bastante credível e competente, conseguindo criar uma excelente química com a sua co-protagonista, o que lhe valeu a nomeação para o BAFTA de Melhor Actor Secundário. Por seu lado, Steve Martin fica bastante aquém do restante elenco, apesar de parte da culpa ser do próprio argumento que não dá muita profundidade à sua história. John Krasinsky é uma surpresa e apesar de toda a subtileza da sua personagem, revela-se um excelente actor.
A realização de Nancy Meyers, longe de ser surpreendente, é competente.
Amar… É Complicado é um filme agradável para um serão em bom companhia, é puro entretenimento, sustentado por grandes actores e uma realizadora com grande experiência na área.

domingo, 14 de março de 2010

Ovos Kinder


Deliciosos ovinhos de chocolate de leite com surpresas incríveis e coleccionáveis dentro, é a receita de sucesso da marca KINDER. Este é um produto que proporciona uma divertida e saborosa refeição para crianças e não só.
Tudo começou graças à visão empresarial da família Ferrero, em especial a de Michele, que nos tempos de crise em 1968, lançou no mercado italiano à linha de chocolate Kinder (em alemão significa criança), composta por uma série de produtos destinados ao mundo infantil. Porém, ao contrário do que se pode pensar, o primeiro Kinder, nem era um ovo, como a marca ficou mais conhecida. Era uma barrinha de chocolate, saborosa e nutritiva com recheio de leite. Logo depois o produto foi introduzido na Alemanha e depois no resto da Europa. Porém, foi somente em 1972 que surgiu a ideia de transformar o Kinder em ovo de chocolate. O novo produto foi baseado no tradicional ovo de Páscoa.
A ideia original era de que as crianças ao abrirem o ovo tivessem um momento mágico e de diversão todos os dias do ano. A diferença do produto era mesmo o brinquedo que vinha dentro de uma cápsula de plástico amarela (a cor representa a gema de um ovo)e podia ser coleccionável. Assim, o produto realizava três desejos de uma só vez: chocolate, brinquedo e uma surpresa. O ovo Kinder foi lançado no mercado como um produto saudável, rico em energia e carbo-hidratos. O tamanho do ovo continha a quantidade apropriada de chocolate para o consumo de uma criança. O ovo Kinder logo se espalhou por toda a Europa, chegando ao Canadá em 1975 como o nome de KINDER SURPRISE. Neste mesmo ano surgiram os brinquedos feitos de metal dentro do ovo.
Uma das surpresas mais famosas foi lançada em 1980 com bonequinhos das personagens do popular desenho animado Smurfs. Foi um verdadeiro sucesso. A primeira diversificação de produtos da marca ocorreu em 1989 com o lançamento do KINDER EASTER EGG (ovo de páscoa), que se tornou outro sucesso.
Desde o seu lançamento, foram "inventadas" mais de 15.000 surpresas originais e diferentes no mundo inteiro.
Nos últimos anos a empresa inovou ao introduzir as “surpresas da Internet”, que consiste num código fornecido ao lado da surpresa que vem nos ovinhos, para ser introduzido na página da Internet da marca, onde normalmente se abre um mini-jogo para crianças.
Produzidos para serem vendidos em países de clima frio, o chocolate não é comercializado nos meses de verão. Nestes meses o ovo Kinder é substituído pelo KINDER JOY, um ovo de plástico, onde de um lado se encontra o brinquedo, e do outro, duas bolas de chocolate banhadas com creme de avelã.
Apesar de ser um produto simples, exige muito cuidado:
-Parte externa: feita de chocolate com leite (açúcar, leite integral em pó, manteiga de cacau, massa de cacau, emulsificante lecitina de soja e aromatizante).
-Parte interna: leite integral em pó, açúcar, gorduras vegetais, emulsificante lecitina de soja e aromatizante.
-As surpresas: antes de ser inserida dentro do KINDER OVO, cada uma é submetida a um rigoroso teste de qualidade. Destacam-se dois tipos de surpresa: as de montar e as já montadas e pintadas à mão.
Na fábrica, primeiro são misturadas as surpresas, e somente depois o chocolate: primeiro o recheio de leite que fica por dentro do ovinho, e depois o chocolate ao leite que fica por fora.
O ovo Kinder pode ser encontrado em mais de 30 países do mundo. Diariamente, são vendidos 5 milhões de ovinhos, isto equivale a mais ou menos 2 bilhões de ovos por ano.
O produto tem como mascote um divertido e animado ovinho chamado KINDERINO.

sábado, 13 de março de 2010

Stonehenge



E foi com uma serena normalidade que alguém me disse que viveu a dez minutos dali.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Alice no País das Maravilhas


Uma Alice crescida (a quase estreante Mia Wasikowska,vestida de azul, de cabelos louros e ondulados. Um alucinado Johnny Deep (chapeleiro louco),muito maquilhado, quase fluorescente, insanemente esgrouviado . Uma Helena Bonham Cárter, a rainha de copas,com uma cabeça enorme, e umas entradas no cabelo vermelho, em forma de coração. O público:AHHHHHHHH!
Para mim, a rainha das copas é sem dúvida a figura mais conseguida de todo o naipe que compõe esta história da literatura mundial. Em Burton, a rainha do "cortem-lhe a cabeça", que jogava criquete com um flamingo e um ouriço-caixeiro, tem um ar sinistro que me cativou.
O sorriso do gato é fascinante, o coelho do relógio também, assim como os gémeos Tuidledim e Tuidledum e a lagarta azul, a fumar em cima do cogumelo. O exército de baralho de cartas não tem grande graça e a rainha branca (Anne Hathaway) muito menos.
O filme começa bem, mas para aquilo que Burton nos tem habituado, os cenários eram bastante pobres, apesar da ajuda 3D. Burton conquista o público com uma galeria fascinante de personagens que são do domínio público mundial e que fazem parte do nosso imaginário mais recorrente: a queda de Alice na toca, o chá com o chapeleiro louco, a forma como se agiganta quando come o biscoito que diz "come-me" ou como se apequena quando bebe a garrafinha que diz "bebe-me", o grito recorrente da rainha sempre pronta a fazer rolar cabeças, o jogo de criquete inteiramente biológico... Mas para mim isto não bastou...
È porque Alice somos nós, porque todos nós, antes de nos deixarmos domar pela tirania da normalidade, nos assustamos com o absurdo das coisas e das palavras e do mundo ao contrário. Lewis Carroll, autor do livro, conhecia bem os raciocínios infantis, e todos os lados insólitos que contém as explicações dos adultos e as desconstruções das palavras. Conhecia bem o tédio infantil, as formas de evasão, as nossas tocas de coelho. Nada disto está no filme. Tem algumas maravilhas, sim. Mas falta-lhe a essencial que torna a história reconhecível e perpetuável.
Eu esperava mais do que uma galeria de boas personagens a desfilar no ecrã.

quarta-feira, 10 de março de 2010


Começa amanhã a 10.ª edição do Festival de Animação de Lisboa. Até dia 21, a MONSTRA anda à solta, e conta com a participação das maiores figuras da animação, nacionais e internacionais.
Numa edição cujo país homenageado é Portugal, a partir das 21.00 de amanhã será exibida uma retrospectiva de curtas-metragens dos "incontornáveis" da animação portuguesa. Destaque da abertura para a mistura de animação, arquitectura, música e performance com a estreia de Aedificandi. E, a terminar a noite, a estreia de Várzea, de José Xavier.
Paralelamente à projecção das animações, a MONSTRA investe todos os anos na formação do seu público. Figuras bem conhecidas, como o realizador Bill Plympton e o compositor Normand Roger - ambos nomeados para vários Óscares - vão orientar masterclasses, entre muitos outros.
O Museu da Marioneta ainda apresenta duas exposições relacionadas com a animação. Até dia 18 deste mês, é possível visitar Desassossego, de Lorenzo Degl'Innocenti, e até 21, Um Mundo em Miniatura, do realizador galego SAM.
Integrado na MONSTRA este ano, mais uma das novidades são os Caminhos da Animação Portuguesa, discutidos no próximo sábado no Cinema São Jorge, na 2.ª edição do Encontro Nacional de Profissionais e Amigos da Animação.
A MONSTRA vai espalhar-se ainda pelo Cinema City Classic Alvalade, pelo Museu da Etnologia, pelo Teatro Meridional e pela Escola Secundária D. Dinis, passando ainda pelas lojas Fnac do Chiado e do Colombo.

terça-feira, 9 de março de 2010

O cheiro

Cheira a sujo.
O sujo tem cheiro?
Tudo tem cheiro.
Não!Os sonhos não têm cheiro.
Só é limpo quem gosta do sujo.
Limpa é a sujidade que se cheira e que se gosta.
O sujo também gosta de ser limpo.
Não gosta é de cheirar nem gosta de gostar.
Cheira a sujo!
O sujo tem cheiro?
Cheira a sujidade.
Tudo tem cheiro e tudo se limpa.
Não!Os sonhos não têm cheiro.
Quem gosta de ser limpo não sonha.

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Estado de Guerra" é o Melhor Filme com seis Óscares


Com "Estado de Guerra" já consagrado como o vencedor da noite dos 82s Óscares, o prémio de Melhor Filme foi para o filme de Kathryn Bigelow, que assim conseguiu seis Óscares e bateu James Cameron e o Golias de bilheteira e produção "Avatar.
"Estado de Guerra" fora já o grande vencedor dos Bafta - Melhor Filme, Realizador, Argumento Original, Montagem, Fotografia e Som - e com a sua magra receita de bilheteira de 15,4 milhões de euros (em comparação com os 1,5 mil milhões de euros de "Avatar") é um vencedor na clássica luta entre um David e um Golias cinematográficos que representam dois tipos diferentes de produção fílmica.
O filme sobre uma brigada de desarmamento de minas no Iraque e sobre um militar que tem uma forma especial de lidar com o stress de guerra bateu a fantasia futurista e ecológica de "Avatar" e oito outros filmes nomeados.
A contabilidade dos Óscares de 2010 dá a vitória a "Estado de Guerra", com seis estatuetas - melhor filme, realizador, montagem, montagem de som, mistura de som e argumento original. O segundo filme mais premiado foi "Avatar", com três Óscares de categorias técnicas - direcção artística. fotografia e efeitos visuais.
"Precious" e "Crazy Heart" ficam ambos com dois prémios - melhor actriz secundária, Mo'Nique, e melhor argumento adaptado para "Precious"; melhor actor, Jeff Bridges, e melhor canção. "Up - Altamente" tem também duas estatuetas, a de melhor filme de animação e melhor banda sonora original. E "Um Sonho Possível", que se estreia no dia 25 em Portugal, fica com o Óscar de Melhor Actriz para Sandra Bullock

domingo, 7 de março de 2010

Shin-Chan

Shinnosuke "Shin-chan" Nohara é um garotinho de 5 anos com um ritmo de vida e uma família completamente "normal" do ponto de vista japonês. Seu pai é um executivo que trabalha muito para pagar a hipoteca da casa, e a mãe uma típica dona de casa. Mas Shin-Chan não é um rapaz normal: ele dedica o seu tempo a fazer as maiores travessuras para irritar seus pais e professores, além de perseguir as meninas bonitas e de ver na tv o seu super-herói preferido Action Kamen (uma paródia de heróis tipo Ultraman ou Power Rangers).

sexta-feira, 5 de março de 2010

Jogos Florais

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
Vive comendo o meu fubá.

Ficou moderno o Brasil
Ficou moderno o milagre
A água já não vira vinho
Vira directo vinagre

Minha terra tem Palmares
Memória cala-te já
Peço licença poética
Belém, capital Pará

Bem meus prezados senhores
Dado o avanço da hora
Errata e efeitos do vinho
O poeta sai de fininho.

(será mesmo com dois esses
que se escreve paçarinho?)

Cacaso

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tudo pode dar certo


Este filme possui o mais divertido catálogo de insultos. E o facto da personagem principal (Boris) ser antipática e não mudar ao longo do filme dá-lhe um encanto-extra.
Desde Melinda & Melinda (2004), que Woody Allen não filmava em Nova-Iorque. E depois de Londres (Match Point, Scoop, Cassandra's Dream) e Barcelona (Vicky Cristina Barcelona), este regresso à cidade que ele ensina a amar- enquanto tantos outros ensinam a odiar - tem de facto tudo para dar certo.
Este filme é o "olá/adeus" de Woody Allen que já pensa rodar no Brasil. Quanto ao neurótico e hipocondríaco Boris Yellnikoff (porque para além de ter mau feitio também têm pânicos nocturnos e só consegue lavar as mãos se cantar duas vezes o 'parabéns a você' "porque só assim elimina eficazmente as bactérias")também inicia e termina o filme com um olá /adeus: dois suicídios. Suicídios falhados, não se tratasse isto de uma comédia romântica.
Tudo Pode Dar Certo é uma retomada do estilo que consagrou o genial Woody Allen, a comédia inteligente, cheia de diálogos ácidos, personagens que expressam um lado mais cru e divertido do ser humano. A narrativa é outra grande vantagem do filme. Larry David(Boris)conversa com o espectador ao contar a sua história e brinca com o público que vai ao cinema...
Allen volta em grande estilo com uma comédia deliciosa e apaixonante...È mais um filme imperdivel do neurótico mais genial que se conhece.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Shutter Island


Com toda a honestidade:o thriller de Martin Scorsese é só mais um grande filme de um grande realizador.Todo este thriller policial e de mistério está construído como a ilha escarpada do filme para onde um ferry se dirige, cada pedregulho está ali a sustentar outro, se o retirarmos ou não lhe dermos atenção, a história começa a desmoronar-se.
Scorsese filma como se houvesse sempre um detalhe inexplicavelmente fora do sítio, como se tudo isto fosse uma enorme alucinação, uma mistificação onde nunca sabemos o que é verdade e o que é mentira, sublinhada pela magnífica escolha de compositores contemporâneos para a banda-sonora.
Uma dupla da polícia federal vai investigar um estranho desaparecimento numa colónia penal psiquiátrica de alta segurança, de onde é impossível escapar.
Os condenados naquela ilha já ouvem vozes que cheguem. O problema é que o próprio detective também ouve vozes. Ele tem um trauma - que, elucida-nos o psiquiatra, quer dizer "ferida" em grego, e "sonho" em alemão. Em breve, vemos que o agente sabe mais daquilo de que foge do que daquilo que persegue.
E já se sabe: é sempre um paradoxo entender a mente com a própria mente.Diz Dicaprio, no final: "Mais vale morrer como um homem do que viver como um monstro."

terça-feira, 2 de março de 2010

Rápido e Rasteiro

Vai ter uma festa
Que eu vou dançar
Até o sapato pedir pra parar.

Aí eu paro
Tiro o sapato
E danço o resto da vida.

Chacal

segunda-feira, 1 de março de 2010

Vencedores do Fantasporto


«Heartless», a história de um fotógrafo que espalha a sua paranóia numa Londres nocturna e fantasmagórica, venceu o Grande Prémio do Fantasporto.O filme do britânico Philip Ridley obteve também o prémio para a Melhor Realização e foi distinguido com o galardão para Melhor Actor, atribuído a Jim Sturgess.
O prémio para Melhor Actriz será entregue a Neve McIntosh, pelo seu desempenho no filme «Salvage», um filme de ficção política no limiar do terror psicológico, do britânico Lawrence Gough.
Quanto ao Prémio Especial do Júri foi atribuído a «Deliver us from Evil», de Ole Bornedal, um co-produção entre a Dinamarca, a Suécia e a Noruega, sobre a história de um pai que, ao regressar à sua cidade Natal, terá de lidar com a xenofobia que por lá paira.
Outro dos filmes distinguidos foi o francês «La Horde», a fita sobre uma batalha apocalíptica entre polícias, zombies e gangsters, que arrecadou os prémios para Melhor Argumento e Melhores Efeitos Especiais.
O público que por estes dias passou pelo Fantas, decidiu atribuir o seu voto a «Solomon Kane», de Michael J. Basset, que, de resto, estreia no circuito comercial de cinema já no dia 18 de Março.
Quanto à Semana dos Realizadores, o grande vencedor foi «Fish Tank», de Andrea Arnold, galardoado com os troféus de Melhor Filme e Melhor Argumento. «Ward nº6», de Karen Shakhnazarov mereceu o Prémio Especial do Júri e o húngaro Pater Sparrow o de Melhor Realizador por «1», fita que também valeu a Zóltan Mucsi o troféu de Melhor Actor. A espanhola Elena Anaya foi considerada Melhor Actriz por «Hierro».
«Thirst... Este é o Meu Sangue», de Chan Wook-park, foi considerado o Melhor Filme da secção Orient Express, com «A Frozen Flower», de Yoo Ha, a ser galardoado com o Prémio Especial.