quarta-feira, 3 de maio de 2017

Sing

O estúdio Illumination mostra-nos a cada ano que passa que os seus Minions terão sucessores sempre à altura deles. Depois do louvável Pets - A Vida Secreta dos Bichos (2016) veio o tão ou mais louvável Sing. É uma animação povoada de animais que habitam uma cidade (temática já explorada, é certo), onde cada um tem uma  profissão e uma vida pessoal mas todos partilham o desejo de cantar, tocar, compor, dançar  e de viver da música. Temos uma porca- espinho que toca guitarra e canta rock. um rato saxofonista que canta jazz, uma porca que canta e dança, um gorila cantor e pianista e um coala produtor falido de espetáculos que sonha voltar à fama e à carreira de sucesso de antigamente. É claro que as obviedades e previsibilidades vão surgindo aqui e ali a meio do argumento, mas as risadas também surgem aqui e ali a meio de imensas cenas engraçadas e de umas quantas canções pop difíceis de não trautearmos com um sorriso no rosto.  E ainda temos a possibilidade de ouvir uma dúzia de boas músicas, desde Franck Sinatra a Aerosmith. No fim, haja paciência, porque levamos docemente com a velha mensagem de que os sonhos podem sempre tornar-se realidade. Sing não é de todo um  Zootopia mas ainda assim, diverte-nos.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Home

Home é a história de amizade entre uma criança e um E.T. Mais uma história de relações entre extraterrestres e humanos. Foi assim em Lilo & Stitch e, também, no clássico E.T. – O Extraterrestre. Este Home tem alguma qualidade como a tinha Lilo & Stitch mas está longe de ser tão perfeito quanto E.T- O Estraterrestre. 
Aqui os E.T.s são Boovs e são criaturas simpáticas, resmungonas e medrosas que vivem a fugir de outros seres que eles consideram perigosos. A dada altura o planeta Terra torna-se o sítio ideal para mais uma fuga e a invasão pacífica do nosso planeta torna-se uma realidade. Oh, o Boov mais simpático, curioso e trapalhão é quem vai descobrir o significado da amizade depois de ter cometido um erro que o obriga a esconder-se do seu 'povo'. Durante a sua fuga conhece uma menina e o seu gato e depois de uma convivência inicial tempestuosa, surge uma amizade impossível de não partilhar. 
Este trio acaba por viver junto um conjunto de aventuras dado que um pretende esconder-se e os outros dois pretendem encontrar alguém desaparecido. O final é previsível assim como a mensagem transmitida em jeitos de ensinamento moral sobre laços de amizade e confiança. As personagens engraçadas, cómicas e simpáticas salvam Home de ser um desastre total




segunda-feira, 1 de maio de 2017

Ballerina

Ballerina, filme feito por um estúdio francês e canadiano, conta a história de duas crianças que moram num orfanato em França no ano de 1869. Uma menina que tem o sonho de tornar-se uma grande bailarina e um menino que se imagina a ser futuramente o maior inventor do mundo. E para poderem concretizar os seus objetivos decidem fugir do orfanato e sobreviverem sozinhos em Paris. Longe dos traços mais conhecidos da animação que proveem de estúdios como a Pixar ou Disney, Ballerina não desagrada e diga-se que as imagens são muito bem conseguidas. Contudo, a mensagem do filme é previsível e bem patente desde o início da história: os sonhos podem sempre tornar-se realidade. As imagens agradáveis e os planos corridos onde a diversão é garantida contrastam com a temática demasiado repetida, usada e desgastada. Será esse o grande problema desta animação- o argumento. Depois, a banda sonora não se enquadra nem na época da história nem com nenhuma das personagens. Contudo, é provável que Ballerina encante crianças e deixe alguns adultos satisfeitos. 

domingo, 16 de abril de 2017

Ma Vie de Courgette

Nomeada para o Oscar de melhor animação, a produção franco-suíça Ma Vie de Courgette recorre à técnica do stop-motion para contar uma história de abandono  e solidão que, tinha tudo para ser um tema pesado para o público infantil mas não o foi e não o é. Com algumas influências de Tim Burton na caracterização das personagens, a história narra a chegada de uma criança órfã a um orfanato e a sua adaptação ao local. Ao longo do filme não encontramos subterfúgios para fantasiar a realidade e para pintar de claro uma vida que por vezes é bem escura. O que encontramos é uma realidade contada com sensibilidade, espiritualidade, bondade e franqueza. E durante uma hora conseguimos aproveitar uma bela e emocionante história sobre crianças sem recorrer aos já debatidos temas e técnicas moralistas que tentam educar as crianças através da animação. Um filme honesto, limpo e docemente sensível.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Les Invités du 36


Obras de Iandy Charpentier Sculpteur, Valérie Voisembert e Sylvia Trouvé Peintre


Galeria 36 Quai des Arts
Até 31 Março
Niort

quinta-feira, 16 de março de 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

MOONLIGHT

O melhor filme do ano de 2017 é apenas a segunda longa metragem do realizador Barry Jenkins. Moonlight é um filme americano que narra uma história tipicamente americana de uma forma quase europeia. A história é a de um negro americano que nasce num bairro problemático, tem uma mãe problemática e vive a paredes meias com a droga e a violência. Pelo meio o filme ainda esmiúça temáticas sociais como a homossexualidade e o bullying. Seria um desastre se esta história fosse narrada em tons cinéfilos puramente americanos. Seria mais um filme 'do ghetto'. Não o foi. E ainda bem. Barry Jenkins injeta em Moonlight uma boa dose de estilo contemplativo que 'sabe' quase a produto europeu. 
Com uma performance extraordinária de todo o elenco, o filme conduz-nos numa viagem ao interior das personagens (aos seus medos, frustrações, tristezas e desejos), e o tempo real é bem subestimado e reduzido a umas vendas ilegais de droga nas ruas. A fotografia e a música, mais eficazes que perfeitas, também nos encaminham diretamente para o mundo das personagens. Moonlight poderia ser um filme tão extraordinário quanto os seus atores. Mas não o é. Falta-lhe algo mais, falta-lhe profundidade. Moonlight é um belo cenário mas podia ser muito mais que a sua própria possibilidade. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

domingo, 22 de janeiro de 2017

Zootopia

Byron Howard criou Zootopia, um filme de utopia animal onde mamíferos convivem pacificamente, mas a lógica natural entre predadores e presas ainda não foi completamente superada. Portanto, Judy Hopps, é uma coelha fofinha e determinada que sonha tornar-se uma polícia respeitada mas não é isso que acontece nos seus primeiros dias de trabalho. Leões, ursos, rinocerontes e outros gigantes da natureza, considerados mais capazes para o trabalho, são pouco afáveis com a nova companheira de trabalho. Judy aprende que o mundo está cheio de oportunidades e também de preconceitos, incluindo os dela mesma. Judy tem alguma resistência em confiar nas raposas desde o seu primeiro encontro com Nick Wilde. Este porém, é o típico astuto espertalhão que ganha a vida a enganar pessoas. A relação de Judy e Nick começa a mudar quando a dupla é obrigada a unir forças para resolver um caso policial. 
Filme repleto de mensagens moralistas (o respeito pela fauna e o aviso de não acreditar nas aparências) e de referências a cultura pop (música e comida) , cheio de piadas inteligentes e um design cuidadoso. Há um encaixe perfeito entre as profissões dos animais e a sua personalidade e aquilo que nós humanos pensamos deles. Depois, a animação é sincera: o preconceito existe e precisa ser vencido. 
Produto de uma nova fase do estúdio Disney, que também evitou transformar Elsa em uma vilã unidimensional, Zootopia  é um filme muito bonito que cumpre o seu objetivo sem nunca esquecer a diversão para o qual contribui. 

domingo, 15 de janeiro de 2017

Dangal

Baseado na vida real do wrestler indiano Mahavir Singh Phogat, Dangal é a história de um pai que luta contra a sociedade e as suas normas para transformar  as suas filhas em wrestlers  e vencedoras medalhadas (pela primeira vez na história da Índia).
O filme não foge ao seu estilo de Bollywood e explora ao máximo as emoções das personagens. É um tanto cansativo o dramatismo moldado e trabalhado em duas horas e pouco de filme. Mas a banda sonora enche as imagens de vivacidade, bem ao estilo que Bollywood nos habituou.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Divertida Mente

Filme descrito como o mais ousado e maduro da Pixar nos últimos anos, Divertida Mente tem como tema principal a complexidade das emoções que uma pessoa possui e como toda essa complexidade é a chave para a personalidade de cada um de nós. A personagem Riley, uma pré adolescente, é o alvo indicado para podermos ver em ação emoções como a alegria, tristeza, inocência, ingenuidade e todas as outras emoções que acompanham o seu crescimento. E a Pixar, a partir daqui, cria uma narrativa criativa e cheia de conteúdo, com apoios sólidos em metáforas pouco infantis mas infantilmente belas demais. Daquelas que deslumbram as crianças e ocupam os adultos. É um filme que nos faz literalmente entrar na cabeça de uma personagem, que dá vida e cor à psicologia da personagem e que cria uma história no caminho natural do crescimento mental.  Já imaginaram a cara da felicidade? E a da tristeza? Como será a raiva em pessoa? Para ver. Pouco há para falar. Porque a criatividade é para ser vista e pouco comentada. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Florence: Quem é Essa Mulher?

O diretor Stephen Frears, aposta num filme com registo cómico para nos apresentar Florence Foster Jenkins, uma mulher herdeira de uma grande fortuna, com uma paixão enorme pela música, mas sem o mínimo talento para o que ela mais gostava de fazer: cantar opera. Para tal, investe numa interpretação simplificada das relações humanas e na narração dos típicos códigos de convívio entre as classes sociais. Mais, privilegia a doença e um triângulo amoroso em detrimento da arte e do canto. E a atenção é dedicada à perseverança e persistência no concretizar de um sonho, que só é possível graças à fortuna que tudo compra e à excentricidade que tudo transforma. 
Frears ridiculariza a personagem nos momentos de canto mas alimenta-a de piedade e compaixão quando desnuda os seus medos, receios e alguma ingenuidade. É uma personagem pouco dada a realismos mas que merece aqui alguma misericórdia, puxada no humanismo da sua excentricidade. 
O elenco é cheio de talento: Hugh Grant e Meryl Streep. Bastavam. Mas podemos ainda surpreendermo-nos com a excelente exibição de com Simon Helberg. 
Florence: Quem é Essa Mulher? parece-me um filme frio em termos narrativos, mas cinematograficamente e enquanto narrativa cómica, cumpre bem os seus objetivos

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Lutetia

26 de abril de 1945. Os primeiros deportados que sobreviveram aos horrores dos campos de concentração nazis encontraram a liberdade em solo francês. Foi em Saint-Germain des Prés, na esquina da Boulevard Raspail com a Rue de Sèvres, que tudo aconteceu no famoso Hotel Lutetia. Muitos deportados ficaram aqui até ao fim do mês de Agosto e muitos deles souberam aqui da morte ou desaparecimento dos seus parentes e conhecidos. O Hotel Lutetia também acolheu deportados estrangeiros e crianças judias de Buchenwald, combatentes da resistência polonesa presos na França, republicanos espanhóis capturados em 1940 e deportados para Mauthausen. Se Lutetia era um lugar de regresso à vida, também era símbolo da dimensão da tragédia, especialmente para aquelas famílias que vinham ao hotel todos os dias e esperavam encontrar algum parente.
Através de quinze Posters, a exposição aborda os diversos aspectos levantados pela recepção dos sobreviventes. Como é que o governo acabou por escolher, em Paris, um local de encontro e de controlo reservado para deportados? Quem fez parte desta gestão? Qual o papel da Resistência na logística desta acção?
Temática interessante e rica em informação com alguns objetos expostos valiosos e que justificam por si só a visita, nomeadamente, sapatos usados por deportados nos campos de concentração e também algumas peças de vestuário. De realçar a exposição de uma 'Estrela de Judeu' que os judeus usavam ao peito. No entanto, tamanha e vasta informação e conteúdo deveriam ser tratados de forma menos aborrecida nos Posters expostos. A disposição dos Posters também é deficitária e prima pela falta de espaço da galeria.


9 a 14 Janeiro 2017 
Salle Aurore,avenue Lafayette.
Rochefort

domingo, 8 de janeiro de 2017

Pompeia


O início de Pompeia não é nada animador. Um homem que mata e deixa morrer uma criança. E descobrimos logo o vilão. Sem surpresas. A criança que obviamente não morre será o herói. Sem surpresas. Depois, anos mais tarde surge a criança já homem feito e uma mulher que o olha e admira. Será a donzela e rapidamente se apaixonam. Sem surpresas. O discurso é do mais previsível que pode existir. 
O diretor Paul W.S. Anderson limita-se a usar Pompeia como plano de fundo para brincar e mostrar mortes, espadas, combates, guerras e corpos mutilados. Só. 
Há quem acredite que a salvação do filme está nos efeitos sonoros e nos efeitos especiais. Eu não. Nada salva este filme e todos os efeitos são péssimos. 
Os atores pouco falam e pouco interagem. Parecem modelos de uma passerelle que o Paul W.S. Anderson dirige. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Race

Stephen Hopkins não tem o mesmo brilhantismo no cinema como tem em séries televisivas (24 Horas, Californication e House of Lies). Fez até agora filmes mediocres e com o seu último Race não fugiu a esse registo. O filme conta a história real do lendário Jesse Owens, atleta negro que brilhou nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, e que 'destruiu' a festa dos ideais de supremacia ariana de Hitler. A personagem é interessante e a história é fascinante. O filme, no entanto, não é nada mais que 'fraquinho'. Tem alguns bons momentos, alguns atores competentes, mas nada oferece de novo.