sábado, 28 de dezembro de 2013

Hannah Arendt


Uma interpretação extraordinária de Barbara Sukowa no filme mais importante agora em exibição entre nós: retrato de mulher e filme de ideias sobre um tempo que passou. Envolto nas roupagens levemente nostálgicas de uma Nova Iorque académica e afluente, mitificada pelos bons ofícios do cinema, Hannah Arendt pode ter um leve aroma de “filme fora de tempo”, ou não identificássemos a sua autora, a veterana alemã Margarethe von Trotta, com a vertente mais interventiva do cinema alemão dos anos 1970. E é obra que recorda, com saudade e sem saudosismo, um tempo em que havia espaço e disponibilidade para o, e entusiasmo pelo, pensamento. Um tempo em que a cultura, a arte, a literatura não eram apenas palavras vãs, mas sim algo que tinha um impacto prático, quotidiano. É isso que torna Hannah Arendt no filme mais importante actualmente em exibição em Portugal. O que Von Trotta faz dos quatro anos (1961-1964) durante os quais a filósofa Hannah Arendt viajou até Jerusalém para cobrir o julgamento do oficial SS Adolf Eichmann e publicou o seu polémico ensaio sobre a “banalidade do mal” é, ao mesmo tempo, retrato de mulher e filme de ideias. Mas o notável é que a abstracção do pensamento de Arendt nunca é separada da personalidade, da pessoa que o pensa; é um filme de personagens que nunca afoga as ideias, e um filme de ideias que nunca se impõem às personagens. Encarnada de modo extraordinário por Barbara Sukowa, Hannah Arendt é uma mulher fiel apenas ao seu intelecto e aos seus amigos, que se recusa a diluir ou adoçar o seu raciocínio apenas para ser politicamente correcta. Arendt bem pode querer separar as águas do pessoal e do profissional mas o affaire Eichmann e a sua noção de rigor intelectual imparcial apenas vieram sublinhar a lição que o seu professor, Martin Heidegger, aprendera tarde demais: a vida real e a vida da mente não são a mesma coisa e há que escolher e assumir as consequências. O pensamento da filósofa pode ter afectado o mundo, mas exigiu um preço pessoal - e é também aí que Von Trotta e Sukowa ganham o filme, ao recusar “separar as águas” e pintá-la como alguém intocável, ao tornar Hannah Arendt numa apaixonante meditação sobre o pensamento como algo de profundamente cinematográfico, até sedutor e sexy - e melhor “filme de recrutamento” para pôr a cabeça a mexer é difícil de imaginar. O que, aliás, leva a outra e importante questão: será que, hoje, em 2013, o que Arendt escreveu há 50 anos teria gerado tal sururu? Só fazer essa pergunta bastaria para tornar este num filme central para os tempos que vivemos. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Foi o próprio Sylvester Stallone que assinou o argumento deste veículo para Jason Statham, a partir de um dos livros de Chuck Logan sobre o ex-polícia Phil Broker. Nada há de muito novo por aqui, com Statham a chegar a uma cidadezinha do interior dos EUA para tentar viver pacatamente com a filha, e a entrar em confronto directo com os locais, que lhes querem fazer a vida negra.
Ele bem tenta conter-se mas vai acabar por explodir em violência e acção, principalmente quando o traficante encarnado por James Franco se mete ao barulho. Pelo meio ainda surgem Winona Ryder, Kate Bosworth e Rachelle Lefevre, a comprovar que estão em fase negra de carreira. No meio de tudo, salva-se Statham, sóbrio e lacónico como sempre, a cumprir o que dele se espera com acerto, num filme que tenta ser um pouco mais realista que o habitual na sua filmografia, pelo menos na primeira meia hora.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Lisbon & Estoril Film Festival – LEFFEST

O Lisbon & Estoril Film Festival – LEFFEST regressa com uma programação diversificada onde há muito cinema, mas que inclui também música, literatura e artes plásticas. A novidade, este ano, é a abertura da secção competitiva à produção mundial e não apenas à europeia. Antestreias, homenagens e retrospetivas marcam o festival e trazem a Portugal nomes importantes do cinema como James Gray, Abdellatif Kechiche, Gianfranco Rosi, Wong Kar-Wai, Fanny Ardant, entre outros. Vários escritores são também convidados nesta edição. Paul Auster, Don DeLillo e J.M. Coetzee são algumas das figuras do mundo literário presentes no evento. Destaque ainda para a Mostra de Cinema Ibero-americano – 15 anos, 15 filmes, que acontece no Cinema Monumental (11 a 15 de novembro) e que inclui a antestreia do filme Pelo Malo de Mariana Rondón. 

Em destaque:
Seleção Oficial – Fora de Competição
A par dos filmes em competição oficial, onde se destacam jovens cineastas emergentes, acontece a Seleção Oficial – Fora da Competição. Esta secção apresenta em antestreia nacional vários filmes de reconhecidos autores internacionais. Destaque para A Vida de Adèle: capítulos 1 e 2, de Abdellatif Kechiche, vencedor da Palma de Ouro de Cannes. La Vénus à la Fourrure, filme de abertura do festival e o mais recente de Roman Polanski, e Inside Llewyn Davis, de Joel e Ethan Coen são outras das exibições a salientar.

Homenagens e Retrospetivas
O encenador, realizador e crítico português Jorge Silva Melo é um dos homenageados nesta edição do LEFFEST com uma retrospetiva dos seus filmes e uma leitura pública. James Gray é outro dos realizadores homenageados. O americano vem a Portugal apresentar o filme de encerramento, The Immigrant e dar uma masterclasse. Gianfranco Rosi e Alain Guiraudie também marcam presença no evento, que inclui retrospetivas dos dois realizadores. Sacro Gra, vencedor do Leão de Ouro de Veneza e o Desconhecido do Lago, são as antestreias que vêm apresentar.

Cinemart – Street Art
O LEFFEST cruza com o cinema outras formas de arte. Paralelamente realizam-se também espetáculos de música e dança, assim como uma exposição. VHILS, cujo nome de nascença é Alexandre Farto, é o artista de arte urbana em destaque no festival. A sua obra encontra-se espalhada por muros e paredes onde escava retratos com martelos pneumáticos, explosivos ou ácido. O festival integra uma exposição de VHILS e a exibição de vários vídeos de artistas de Street Art. AKAY, BLU ou Angelo Milano são retratados nestes filmes.

Aceda aqui à programação.
 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ENCICLOPÉDIA : X

Em Enciclopédia: X colocam-se em cena: uma montra, uma mesa circular alta, um computador,  3 actrizes e um conjunto limitado de espectadores a quem se propõe a inebriante tarefa de, através da ingestão, se abandonarem à degustação de um refinado conjunto de fermentações de malte.
Natureza Morta. Tempo. Garrafa de Cerveja. Garganta. Abutre. Silêncio.
Enciclopédia: X é um espectáculo que resulta do encontro da companhia Cão Solteiro com o  escritor Afonso Cruz. Constrói-se em torno das nossas obsessões e de um dos grandes prazeres do autor - a cerveja artesanal. 

30 Outubro a 24 Novembro às 21.30h | Quarta a Domingo
local . Cão Solteiro . rua poço do negros 120
Bilheteira - das 15h às 21:30h | 916 820 000
Aviso: É obrigatório o consumo da cerveja.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Gru- O Maldisposto 2

É que, no segundo filme sobre o vilão mais ternurento do planeta, os heróis são outros: os bonequinhos amarelos que provaram a sua eficácia viral aquando da estreia do primeiro filme. Desta feita, Gru (Steve Carell) é convocado por uma organização anticrime para encontrar e capturar um novo vilão, o mexicano El Macho. Para ser bem sucedido na missão, conta com a ajuda da agente Lucy (Kristen Wiig) e, claro, dos seus fiéis assistentes Mignons. A Illumination Entertainment volta aqui a provar que está ao mesmo nível de uma DreamWorks ou de uma Blue Sky. Boas personagens, óptima qualidade na animação e divertidíssimos “sketches” com as personagens amarelas a garantir ao filme a receita para o êxito. O sucesso é já um facto, já que as receitas de bilheteira do filme não param de aumentar, tendo já ultrapassado os 500 milhões de dólares em todo o mundo. O que o filme tem a mais que o seu antecessor é, ao mesmo tempo, a sua mais valia e o seu defeito. Se o maior protagonismo para os Mignons, em pequenos e constantes episódios paralelos à narrativa central da película é, por um lado, cativante e delicioso, é também o que determina que a história central seja menos consistente e muito intervalada por cenas dedicadas às pequenas criaturas. Está previsto para o próximo ano um spin-off dedicado aos Mignons. «Gru – O Maldisposto 2» é já uma antevisão do que poderemos ver numa longa-metragem totalmente pintada a amarelo: uma hora e meia de total diversão e fofura trazida pelos Mignons. Mas será que eles chegam para aguentar um filme completo?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

DocLisboa 2013

Começa hoje a 11ª edição do festival, que se prolonga até 3 de novembro. O filme de abertura, 'Pays Barbare', de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, é exibido esta noite na Culturgest.

São mais de 200 os filmes que se poderão ver nesta edição do DocLisboa, entre salas na Culturegest, São Jorge, Cinemateca, City Alvalade e Almada. Pays Barbare, o filme de abertura do festival, regressa aos anos 30 para evocar o que foi o colonialismo italiano em África, na era de Mussolini, através de arquivos privados e anónimos da Etiópia, assim como fotogramas do período colonial italiano.
O festival ficará contudo marcado pela ausência do realizador iraniano, Mohammad Rasoulof, autor do filme de encerramento,Manuscripts Don't Burn. Rasoulof não vai poder presidir ao júri da Competição Internacional, pois o seu passaporte foi apreendido, no passado dia 19 de setembro, após ter apresentado o filme no Festival de Cannes. Manuscripts Don't Burn é um thriller baseado em factos verídicos, rodado clandestinamente no Irão. A direção do festival decidiu deixar vazia a cadeira de Mohammad Rasoulof, "não como uma homenagem mas como uma denúncia de todos os poderes que se opõem à liberdade de expressão e de pensamento" informou Susana de Sousa Dias, um das diretoras de festival, na segunda conferência de imprensa. Manuscripts Don't Burn será exibido no dia 2 de novembro, na Culturgest.
Na secção Riscos, Closed Curtains é o mais recente filme do cineasta iraniano Jafar Panahi, que também se encontra retido no seu país, proibido de trabalhar.
A secção Verdes Anos mostra ao público filmes produzidos no contexto de escolas de vídeo, cinema, audiovisuais e comunicação, assim como em cursos de pós-graduação, relacionados com o cinema, em particular documental.
Heart Beat, secção dedicada a documentários relacionados com a música e artes perfomativas, é de destacar o filme sobre o julgamento dos membros das Pussy Riot, Pussy Riot: A Punk PrayerOlho Nu, sobre a vida e obra de Ney Matogrosso, The Stone Roses: Made Of Stone, sobre os britânicos The Stone Roses, e Mistaken for Strangers, sobre os The National, documentário realizado pelo irmão do vocalista, Matt Berninger.
Aceda aqui à programação. 

domingo, 20 de outubro de 2013

Aya de Yopougon




Aya de Yopougon é uma animação, que tem uma hora e 42 minutos de duração, e foi produzida pelos estúdios Autochenille Production (de Joann Sfar, Clément Oubrerie e Antoine Delesvaux) e Banjo Studio
O filme foi escrito por Marguerite Abouet e baseia-se na série de quadrinhos Aya de Yopougon, de Abouet e Oubrerie, que possuiu seis edições publicadas na França.
O elenco vocal inclui Aïssa Maïga (Aya), Tella Kpomahou, Jacky Ido, Tatiana Rojo, Ériq Ebouaney, Atou Ecare, Sabine Pakora, Djedje Apali, Diouc Koma, Binda Ngazolo, Mokobé, Jean-Baptiste, Anoumon, Claudia Tagbo, Pascal N’Zonzi, Corinne Haccandy, Emil Abossolo-Mbo e Marguerite Abouet.
Marguerite Abouet e Clément Oubrerie também dirigem o filme. A trilha sonora é de Alexandre Fleurant.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Paris je t'aime

Paris, Je t'aime é um longa-metragem de pouco mais de duas horas de duração, composto por dezoito curtas-metragens, dirigidos por famosos cineastas de todo o mundo, que deixam transparecer aqui suas impressões sobre as particularidades da cidade francesa e, principalmente, sobre a fama de ser a capital dos apaixonados. A proposta feita aos diretores foi a de mostrar que, em Paris, o amor está por todo canto. Entre os cineastas convidados estão o brasileiro Walter Salles, Alfonso Cuarón e os Irmãos Coen. Paris é uma cidade formada exatamente por dezoito distritos, e cada uma das dezoito curtas mostra um bairro diferente, seja por meio de uma praça do local, ou por meio de uma estação de metrô.
Seria impossível fazer uma análise apenas global do filme. É necessário fazer uma pequena análise de cada curta que compõe o filme, pois são visões distintas das localidades parisienses. Paris, Je t'aime tem histórias alegres, tristes, melancólicas. Mostra encontros, novos relacionamentos, separações, mas tudo sem perder de vista o amor. Tem algumas histórias boas e outras realmente fracas. Alguns curtas poderiam ter menor duração, ou poderiam, simplesmente, não existir. No geral, o filme é bonito, mas com uma metragem menor, o filme seria, com certeza, melhor. Uma pena que alguns diretores tenham sido infelizes, porque houve aqueles que foram perfeitos ao retratar a Cidade Luz. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Festa do Cinema Francês começa hoje e leva Paris a todo o país


O Instituto Francês de Portugal organiza a 14ª Festa do Cinema Francês que acontece, de 10 de outubro a 10 de novembro, em diversas cidades do país. O evento inaugura em Lisboa no dia 10 de outubro com a antestreia de Camille Redouble, com a presença da realizadora Noémie Lvovski. L’Ecume des jours de Michel Gondry, Grand Central de Rebecca Zlotowski e Jeune et Jolie de François Ozon, são outros dos filmes em antestreia na Festa do Cinema Francês. A atriz, realizadora e cantora Agnès Jaoui é este ano a Madrinha do festival e será possível conhece-la nas três vertentes artísticas. Do programa destaca-se também a exibição, da cópia restaurada, de um grande clássico do cinema francês: Hiroshima meu amor de Alains Resnais. O Cinema S. Jorge e a Cinemateca Portuguesa são os locais que acolhem a Festa do Cinema Francês, até dia 20 de outubro, na capital.

Em destaque:
Paris no Cinema
Sete filmes emblemáticos, que têm a cidade de Paris como pano de fundo, são exibidos nesta secção especial. E viveram felizes para sempre…?, de Agnés Jaoui é o filme de abertura. François Truffaut, Jean Rouch, André Téchiné e Léos Carax são outros dos realizadores cujas obras é possível conhecer. Agnés Jaoui encerra esta secção com um concerto no Lux. A programação insere-se no programa Paris-Lisboa, que celebra os 15 anos do Pacto de Amizade entre Lisboa e Paris.

Homenagem e Retrospetiva
Em colaboração com a Cinemateca Portuguesa e com a Midas Filmes é apresentada, pela primeira vez em Portugal, uma retrospetiva de Claude Lanzmann. O realizador, cujo trabalho tem como tema central o Holocausto levantando questões controversas sobre a participação dos judeus no extermínio nazi, estará presente na abertura da retrospetiva com a exibição do seu mais recente filme, Les derniers des injustes. Uma história que regressa à perversidade e crueldade do regime nazi.

Universo da Animação
O realizador Michel Ocelot é a figura em destaque da secção dedicada à animação. O programa, para miúdos e graúdos, inclui vários filmes deste realizador, um dos mestres do género. Kiricou les hommes et les femmes é o seu mais recente filme e pode ser visto na Festa do Cinema Francês em antestreia. Ernest et Céléstine de Stéphane Aubier, Benjamin Renner e Vicent Patar e Aya de Yopugon de Marguerite Abouet e Clément Oubreriethe são outras das antestreias previstas.

Aceda aqui ao programa. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Eu e Tu


É dificil perceber o que fazer com os filmes que Bertolucci faz hoje. Ou quase não faz, visto que os intervalos são cada vez maiores (Eu e Tu aparece nove anos depois de The Dreamers), por razões que não terão apenas a ver com problemas de saúde. Um fio possível para deitar a mão à meada de Bertolucci é a juventude. The Dreamers falava do Maio de 68 como uma aventura adolescente, mais sentimental do que política, questão de “lust for life”. Os protagonistas de Eu e Tu voltam a ser jovens, ainda mais jovens do que os de Dreamers. E se estes se enfiavam na cave da Cinemateca Francesa (a aventura também era cinéfila), estes enfiam-se numa cave anónima, cheia de adereços e guarda roupa, para sessões de terapia convivial, desintoxicação e teatro musical. Eu e Tu é a história de um garoto em plena idade do armário, que se tranca na cave do prédio durante a semana em que a mãe pensa que ele foi fazer ski com os colegas da escola. Tranca-se por razão nenhuma: pura revolta “sem causa”, zangado com os pais, com a escola, com o mundo. Depois aparece-lhe a meia irmã, mais velha, que também escolheu a cave para se isolar e proceder a uma desintoxicação por conta própria, promessa feita ao namorado. O osso do filme assenta na relação entre eles. E se se pode sempre dizer que isto também é Bertolucci a “enfiar-se na cave” e a voltar costas ao mundo, de tal modo eu e tu se abstém de referências significativas ao que quer que seja para além da relação entre os dois meio-irmãos, esta história de intimidade subterrânea até resulta bastante bonita. Bertolucci parece lançar algumas pistas, quase private jokes - o psicólogo que na primeira cena atende o miudo está em cadeira de rodas, como, por causa de uma hérnia, Bertolucci está actualmente, e portanto é como se Bertolucci “apadrinhasse” o miudo; o miúdo que, numa das últimas cenas antes de se encerrar na cave, irrita a mãe com perguntas incestuosas, como se fosse La Luna revisto com um sentido de irrisão adolescente. Mas nada disto prevalece sobre o sentido essencial do filme, que é um rumo para a pacificação, uma resolução da “revolta” através da aprendizagem do contacto com os outros. Se a miúda se desintoxica da heroína, o miudo desintoxica-se da sua aversão ao contacto e ao convívio, aprende que se pode esperar dos outros, em determinadas circunstâncias, alguma coisa boa. Num golpe bastante feliz, Bertolucci transfere integralmente para uma canção de David Bowie (Ragazzo Solo, Ragazza Sola, versão italiana de Space Oddity), dançada e cantada pelo par de irmãos, a expressão da moral da história e a chave para desatar o seu novelo psicológico. E portanto até é simples: está encontrado o filme de Bertolucci de que mais gostamos nos últimos 30 ou 40 anos.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Portal disponibiliza toda a obra poética de Pessoa


Um portal do Governo brasileiro disponibilizou para download gratuito toda a obra poética de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos.

"Do Livro do Desassossego", uma das obras disponíveis para download no site Domínio Público, já teve mais de 254 mil acessos.
O Domínio Público é uma espécie de biblioteca digital do Governo do Brasil, país onde a obra de Fernando Pessoa goza de grande popularidade.
Nascido em Lisboa, Pessoa (1888 - 1935), o poeta fingidor, como se autodenominava, criou os heterónimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, cada um com personalidade e biografia próprias, o que os leva a serem objeto da maior parte dos estudos sobre a sua obra.
No ano em que teria comemorado, a 13 de junho, 125 anos, Fernando pessoa foi alvo de várias iniciativas.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Morreu o poeta António Ramos Rosa

Ramos Rosa, vencedor do Prémio Pessoa em 1988, nasceu em Faro, em 1924, e deixa uma vasta obra com cerca de uma centena de títulos, traduzida em várias línguas.
O poeta, ensaísta e tradutor morreu hoje, a poucos dias de fazer 89 anos, no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, em consequência de uma pneumonia, segundo um familiar disse à Lusa.
No início do mês tinha doado à autarquia de Faro o espólio relativo ao percurso académico e literário, assim como várias distinções, nomeadamente diplomas alusivos ao seu doutoramento Honoris Causa, ao Prémio Pessoa e ao grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Os bens do poeta ficam sob alçada da Biblioteca Municipal de Faro, a que Ramos Rosa dá nome.
António Ramos Rosa, que deu ainda nome a um prémio nacional de poesia, recebeu o Prémio Pessoa em 1988, na altura trinta anos depois de ter publicado o primeiro livro de poesia, "O grito claro" (1958).

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Queer Lisboa arranca hoje com Portugal em destaque

Continental, de Malcolm Ingram, sobre uma mítica sauna nova-iorquina, abre hoje, pelas 21.00, a 17.ª edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer. Dois dos pontos fortes desta edição serão o documentário Interior. Leather Bar, de Travis Mathews e James Franco, inspirado pela mitologia de Cruising (1980), de William Friedkin, e In the Name of..., do polaco Malgoska Szumowska (vencedor do Prémio Teddy em Berlim). A secção Queer Focus propõe este ano um olhar sobre a relação das comunidades queer com as suas realidades urbanas (com especial foco no fenómeno da gentrificação), destacando--se o filme Boy Eating the Bird"s Food, do grego Ektoras Lygizos, retrato do percurso de um rapaz pelas ruas da Atenas atual. Já a secção Queer Art exibirá um dos mais mediáticos documentários deste ano, Gore Vidal: The United States of Amnesia, de Nicholas Wrathall.
Este ano, a juntar às competições de melhor longa-metragem, documentário e curta-metragem, há uma nova secção competitiva: In My Shorts, que exibirá filmesde escola europeus, num total de 12 títulos, entre eles vários de jovens autores portugueses. As novas gerações serão mais sensíveis às temáticas queer, mas João Ferreira garante não se tratar apenas de uma questão geracional: "Com o acesso cada vez mais fácil e barato às novas tecnologias audiovisuais e equipamento vídeo, diria que o cinema se democratizou e a verdade é que há cada vez mais jovens, profissionalmente ou de forma mais amadora, a explorar esta linguagem do cinema queer."
Um dos filmes mais aguardados do festival é E agora? Lembra-me, o corajoso e aclamado retrato autobiográfico do realizador Joaquim Pinto, que ganhou dois importantes prémios no Festival de Locarno. Um filme que representa um género mais confessional que não é muito frequente em Portugal. "O Joaquim Pinto, uma vez mais, vem desafiar cânones no cinema português. Se em finais dos anos 80 ele foi o que eu chamaria uma expressão do cinema do coming of age, passados mais de 20 anos ele vem de novo desafiar o nosso cinema. Há, de facto, muito pouca tradição do género confessional no documentário português, e o E agora? Lembra-me acredito que vai causar um enorme impacte, não só nos espectadores mas também nos profissionais do cinema, por ser de algum modo inaudito entre nós. Um tipo de documentário já realizado, particularmente nos EUA, como consequência direta da eclosão da epidemia da sida", realça o diretor do Queer Lisboa.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A VIAGEM DO ELEFANTE


A Praça do Município transforma-se num imenso palco para acolher a chegada do elefante Salomão e da sua comitiva e muitos lisboetas não deixaram de comparecer para assistir à sua viagem.
Salomão é um elefante asiático oferecido pelo rei D. João III ao imperador Maximiliano da Áustria na esperança de o impressionar, com algo que nunca ninguém tinha visto. Foi com esta intenção que se lançou o enorme paquiderme numa viagem através de Portugal, Espanha, através dos Pirenéus e dos Alpes até chegar a Viena sempre acompanhado do tratador Subhro e de um comandante e vários soldados.
Entre várias peripécias, acusações demoníacas e de milagres satisfeitos, Salomão chega à Áustria onde acaba por morrer. É assim que José Saramago nos conta a saga, na sua obra A Viagem do Elefante, que é também uma “metáfora da vida humana” como o próprio definiu.
O espetáculo pode ser visto nos dias 14 e 15 junto aos Paços do Concelho de onde seguiu para Madrid, depois de já ter percorrido outras cidades portuguesas que fizeram parte do traçado sugerido no livro de Saramago. Foi concebido pela companhia ACERT de Tondela, conta com a encenação de Pompeu José e José Rui Martins e banda sonora de Luís Pastor que musicou poemas de Saramago. 

domingo, 1 de setembro de 2013

MOTELX 2013


O MOTELx regressa ao Cinema São Jorge, de 11 a 15 de setembro. Na sessão de apresentação da sétima edição ficámos a conhecer parte da programação do festival mais arrepiante de Lisboa. 
A secção principal, Serviço de Quarto, apresenta duas antologias: The ABCs of Death V/H/S/2, que incluem cineastas como Simon Rumley, Jason Eisener e Eduardo Sanchez. Destaque também para a presença, pouco habitual, de várias realizadoras num meio maioritariamente masculino: Jennifer Lynch apresenta Chained, Marina de Van assina Dark Touch, e Xan Cassavetes estreia-se nas longas-metragens com Kiss of the Damned.
Os convidados especiais da sétima edição são Hideo Nakata, realizador japonês, mais conhecido pela versão original do filme The Ring e Tobe Hooper, o criador de Massacre no Texas e Poltergeist. Nakata estreou, precisamente este ano, no Festival de Roterdão, The Complex, filme que terá antestreia nacional no festival.
Do programa fazem ainda parte duas obras de género do cinema novo português: O Crime da Aldeia Velha, de Manuel Guimarães, e o westernspaghetti A Promessa, de António de Macedo, ambos adaptações das peças do dramaturgo Bernardo Santareno. Há ainda espaço para a secção Lobo Mau - dedicada aos mais novos, e que homenageia Ray Harryhausen, influente mestre dos efeitos especiais -  e para o prémio Yorn MOTELx Melhor Curta de Terror Portuguesa.
Uma exposição, vários workshops de caracterização e efeitos especiais, uma masterclass e jogos de terror completam a programação.
Aceda aqui ao programa. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A HISTÓRIA DA TELENOVELA BRASILEIRA

Conheça as histórias por trás das suas histórias preferidas. A inauguração da exposição contou com a presença do ator Marcello Novaes e das atrizes Eva Wilma (uma veterana das novelas da Globo) e Vida Alves (a primeira atriz brasileira a dar um beijo em televisão).
A mostra destaca a relação entre o Brasil e Portugal e apresenta um panorama das 65 novelas da emissora brasileira que já foram exibidas no país desde Gabriela, em 1977, até Avenida Brasil, no ano passado. 

Avenida Fontes Pereira De Melo, 14/14C 8º
1050-121 Lisboa

20 jun a 4 out/13

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Arte Pública no Jardim Gulbenkian

À semelhança do que aconteceu nas edições anteriores de Verão do Programa Gulbenkian Próximo Futuro (2009 e 2010), este ano os visitantes do Jardim Gulbenkian são mais uma vez interpelados por um conjunto de novas obras, instalações e esculturas criadas expressamente para este Programa.

São manifestações de arte pública que pretendem equacionar a importância e pertinência deste tipo de criação. Assim acontece com Cocoon (Casulo), da jovem artista plástica Nandipha Mntambo, nascida na Suazilândia em 1982, que vive e trabalha na África do Sul. A obra que criou para o Próximo Futuro envolve a dimensão mágica e estranha da condição humana.

Noutro ponto do Jardim, descobrimos a instalação However Incongruous, do colectivo indiano Raqs Media, uma peça surpreendente que nos remete para um tempo anterior.

Até 30 de Setembro, oportunidade ainda para desfrutar das sombras proporcionadas pelos Chapéus-de-sol que a arquitecta Inês Lobo concebeu no ano passado para o Jardim Gulbenkian e que este Verão são recuperados, servindo de tela para os desenhos dos artistas Rachel Korman (Brasil), Bárbara Assis Pacheco (Portugal), Isaías Correa (Chile) e Délio Jasse (Angola).

Tenda de cores fortes, que no ano passado animou uma das margens do lago, também estará de volta ao jardim, desta vez para albergar uma biblioteca de obras de autores sul-americanos e africanos.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Graça ao Re-Verso

Festival Graça ao Re-Verso | GRATUITO!
Dia 30, 31 de Agosto e 1 de Setembro | Voz do Operário
Concertos, Oficinas e aulas de dança, entre muito mais...

O primeiro Festival Cultural da Graça …de graça!
Dias 30 e 31 de Agosto e 1 de Setembro, na Voz do Operário decorrem concertos, oficinas e projectos artísticos gratuitos, preenchendo as tardes e noites do espaço.
Os concertos contam com nomes como como Nuno Prata, JP Simões, Samuel Úria, Quelle dead Gazelle, João Ribas - Osso Ruído, Alta Cena - Javi Mojave, Ricardo Ayala - Riddim Culture, Jorge Rivotti e Sequin.
Toda a família está convidada, uma vez que vão existir oficinas de Ecologia e Sustentabilidade, Origami e Escrita Criativa, histórias contadas, animação circense, e aula aberta de Lindy Hop, entre outras actividades.
Um festival para todas as idades, venha com amigos, família e quem quiser trazer para festejar!
Graça ao Re-Verso tem como objectivo promover atividades para estimular a vivência e uma nova experiência com o Bairro da Graça pela oferta de concertos, exposição de artes visuais e atividades culturais/oficinas, direcionadas a um público diverso.
É assim que nasce esta 1º Edição, que se pretende tornar um festival anual.
O evento surge da vontade de motivar novas afetividades entre o bairro e os seus moradores, ao promover o acesso livre à Cultura, a participação social, e dar a conhecer profissionais das artes e destacar a diversidade da produção artística jovem e local.
A iniciativa é do bar O Botequim que, desde 2010, tem alimentado o aumento de uma comunidade jovem e artística, assim como também moradores da Graça e freguesias próximas, que se têm apropriado deste espaço para convivências importantes e entretenimento. Assim, após estes anos de História nasce a vontade de retribuir a esta localidade um evento de qualidade para todos e de importância relevante no cenário artístico lisboeta.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

"O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" vai ser musical

O filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", realizado pelo francês Jean-Pierre Jeunet (2001) e protagozinado pela atriz Audrey Tatou, vai ser adaptado ao teatro musical e deverá estrear na Broadway, em Nova Iorque, anunciou o compositor que trabalha o texto, Dan Messe.
O músico usou o Facebook para anunciar a contratação. "Honro-me de anunciar que fui encarregado de adaptar o filme para a Broadway".
O dramaturgo Craig Lucas e o compositor Nathan Tysen, completam a equipa artística, acrescentou o músico.
O filme teve 8,6 milhões de espectadores em França e receitas mundais de 152 milhões de dólares. Ganhou 4 césares e foi nomeado para cinco óscares.

sábado, 3 de agosto de 2013

A Gaiola Dourada

Convirá separar as águas quanto ao filme do luso-francês Ruben Alves sobre os desaguisados de uma família de emigrantes portugueses, dividida entre tomar posse de uma herança surpresa e ficar no cantinho que criaram para si em Paris. Separar as águas, aqui, quer dizer separar o filme em si, enquanto objecto cinematográfico, do olhar que ele propõe sobre a comunidade emigrante. Enquanto filme, A Gaiola Dourada é obra escorreita, limpinha, certinha, funcional e anónima, estruturada como uma clássica comédia de enganos de boulevard (portuguesa ou francesa, é à escolha). É, ainda assim, francamente mais conseguido e mais certeiro do que a quase totalidade do cinema dito “comercial” que se tenta fazer por terras lusas. O maior interesse do filme vem, contudo, do olhar para a comunidade emigrante, criado a partir de dentro por quem o conhece, e o mérito de Ruben Alves é o de saber partir dos lugares-comuns caricaturais (as porteiras, o faz-tudo, o fado, o bacalhau) e integrar inteligentemente as complexidades subterrâneas da condição emigrante na imagem estereotipada do português em França. Sobretudo, é refrescante ver como o realizador e co-argumentista sugere que é a própria comunidade a reforçar esse estereótipo (mesmo que de modo quase inconsciente), e que o lugar-comum não funciona apenas de França para Portugal e é uma rua com dois sentidos (a esse respeito, o “jantar de compadres” na casa da porteira é exemplar). O que daqui sai é uma comédia amável e divertida, com um elenco de primeira água onde seria injusto não destacar a presença despassarada de Chantal Lauby, que “rouba” quase todas as cenas onde entra.

sábado, 27 de julho de 2013

Mama

Como numa boa fábula, Mama carrega consigo uma dádiva e uma maldição. A dádiva é a exposição garantida pelo curta-metragem Mama, de 2008, que fez sucesso em festivais e na web e gerou interesse pelo trabalho do diretor argentino Andrés Muschietti. A maldição é o efeito colateral: Muschietti, estreante em longas, chega a Hollywood preso ao universo que criou. Produzido por Guillermo Del Toro - que usa sua influência para introduzir, como produtor, novos talentos latinos na indústria de cinema dos EUA. O resultado, como se pode temer, comporta-se um pouco como uma curta estendida, que não desenvolve personagens. Logo no começo do filme descobrimos por que as irmãs estão sob os cuidados da assombrada "mama": são duas crianças órfãs que vivem anos numa cabana isolada depois da morte de seus pais. Elas são descobertas então por seu tio, Lucas (Nikolaj Coster-Waldau), e retornam para a civilização - mas carregam "mama" consigo. Quem mais sofre é a protagonista, Annabel (Jessica Chastain), namorada de Lucas, que se vê numa competição macabra com "mama" pela guarda da meninas. Das fábulas, Mama tira seu imaginário gótico. A neve, a floresta, os símbolos de contos de fada - como as cerejas que as crianças comem ou o lobo de pedra no jardim - dão o clima de história dos irmãos Grimm, com direito a um "Era uma vez..." no início do filme. Seria fácil fazer uma relação entre esse primeiro filme de Muschietti e o universo fabular dos terrores de Del Toro, como O Labirinto do Fauno, se as escolhas cromáticas do argentino - filtros que tiram a cor do ambiente e ressaltam os verdes e os vermelhos - não transitassem tão obviamente por outro terreno visual, o de Alfonso CuarónOs mexicanos Cuarón e Del Toro, afinal, hoje são os modelos de cineastas latinos em Hollywood que uma geração aprendeu a seguir. Em Mama, Andrés Muschietti pega um pouco de cada um deles (e dos cabeludos fantasmas japoneses) e dá ao filme uma unidade visual e temática. É interessante como se faz, por exemplo, entre Annabel e "mama", um duelo de estéticas góticas: a roqueira de cabelo preto e olho pintado, herdeira do punk e dos New Romantics, versus o espectro deformado de uma mulher que parece saída, com seu rosto estreito e alongado, da tela modernista "American Gothic" de Grant WoodÉ uma pena, no fim, que Muschietti não consiga dar a esses personagens esteticamente bem definidos uma trama que seja satisfatória. Mama rapidamente se prende a convenções do gênero e clichês de sustos, e a investigação que vai explicar todos os detalhes do passado do fantasma tira o espaço que Annabel teria com as crianças. Esse espaço era fundamental; Annabel só poderia competir com "mama" a partir do momento em que ganhasse a confiança das duas órfãs. O que vemos no filme, na verdade, é uma relação que nunca deixa de ser disfuncional: Annabel desconcertada com o problema que caiu no seu colo, enquanto as meninas seguem isoladas. Nem com o buraco preto de mofo que surge na parede da casa Annabel se incomoda muito. É como se a personagem estivesse só esperando o confronto final com o fantasma, ciente do que o roteiro lhe reserva. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

FARAV anima Rossio com artesanato e gastronomia

Quase uma centena de artesãos, de vários pontos do País, vão mostrar em Aveiro artesanato genuíno e iguarias gastronómicas, durante 10 dias, na edição de 2013 da Feira de Artesanato FARAV.

O certame, que é inaugurado na sexta-feira, pelas 17:00, vai decorrer até 04 de agosto, no largo do Rossio, no centro da cidade de Aveiro, apresentando como uma das novidades de dinamização passeios de charrete diários.
A animação da FARAV 2013 apresenta espectáculos todas as noites, estando programadas as atuações de H'são (dia 26), Gisela João (dia 27), Niamh Ní Charra (dia 28), Banda Polk (dia 29), Orquestra da Sociedade Musical Santa Cecília e Banda de Gaitas de São Bernardo (dia 30), e Que Raio de Mundo - Teatro do Montemuro, no dia 31.
O primeiro dia de agosto terá Toques do Caramulo, dia 02 Canela e dia 03 Uxía. O último dia da mostra de artesanato será animado pelos grupos locais Grupo Etnográfico e Cénico das Barrocas, Orquestra Ligeira da Taipa, Grupo Cénico Cantares da Ria e Escola de Música da Quinta do Picado.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Territórios de Transição #11 - A Experiência do Silêncio

A exposição ‘Territórios de Transição #11 - A Experiência do Silêncio’ reúne obras da coleção BESart e da coleção d’O Museu Temporário. Os trabalhos apresentados representam um núcleo expressivo da criação contemporânea, tanto nacional como internacional. 
Baseada numa significativa diversidade de obras, a seleção recaiu apenas num número restrito de trabalhos a preto-e-branco, facilitando a leitura de abordagens teóricas que estão na base da construção do conceito do Silêncio enquanto substantivo. 
Curadoria: Luís Serpa.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

NOOR – Mouraria Light Walk


Nas noites de 18 a 20 de julho, a Mouraria enche-se de arte e luz e convida os visitantes a um novo olhar sobre o Bairro, descobrindo-o em animados e interessantes percursos por elementos significativos do seu património material e imaterial. Até às duas da manhã as igrejas ficarão abertas e o Largo da Rosa acolherá concertos, V-jamming, laser graffiti e espaço lounge.
Trata-se do percurso do NOOR – Mouraria Light Walk, uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa em parceria com o EBANOCollective, um coletivo de artistas/cientistas sociais que se propõe realizar intervenções site-specific no espaço público, resultantes do diálogo entre prática artística e pesquisa etnográfica. 
Este programa pretende a criação de ambientes musicais nos antigos lavadouros do Largo da Rosa, tendo por foco central um diálogo musical e cultural entre influências do Sul e do Leste do continente europeu. Sonoridades e partilhas que remontam à música ouvida e tocada na Mouraria desde a presença islâmica, até à ocupação contemporânea, numa viagem pelas melodias e estilos que Lisboa acolheu enquanto capital cosmopolita.
NOOR, que em árabe significa luz, apoia-se numa perspetiva histórica sobre o bairro da Mouraria, tendo um cariz etnográfico e participativo através do envolvimento da comunidade.
O bairro da Mouraria foi um dos primeiros guetos muçulmanos da história europeia. Construído de costas viradas para o rio Tejo e privado de sol na maior parte do dia, as suas ruelas obscuras tornaram-se sinónimo de atividades ilícitas e vida boémia.
Esta intervenção, baseada em efeitos de luz, convida a novas perspetivas e diálogos com as dimensões invisíveis e esquecidas de um bairro ao mesmo tempo popular, tradicional e multicultural, que na sua diversidade interna encontra a sua identidade.
Esta acção é co-financiada pelo FEDER e patrocinada pela AURALight e pela SBXLed.

sábado, 13 de julho de 2013

Morreu Bana, o "Rei da Morna"


O cantor cabo-verdiano Bana, conhecido como o "Rei da Morna", faleceu hoje de madrugada no Hospital de Loures, em Portugal, vítima de doença prolongada, disse à agência Lusa fonte oficial.

Bana, de nome completo Adriano Gonçalves, 81 anos, foi um dos nomes que mais ajudou a projetar a música de Cabo Verde no mundo, desempenhando um papel fundamental como agente da cultura do arquipélago.
Bana nasceu em 11 de março de 1932, no Mindelo, São Vicente, Cabo Verde. Gravou mais de meia centena de discos, ao longo da sua carreira, iniciada em 1942, com apenas dez anos, nas ruas e cafés da cidade que o viu nascer.
O corpo de Bana estará em câmara ardente na Igreja de Benfica e o funeral será domingo.
Conhecido mundialmente, o cantor cabo-verdiano gravou mais de meia centena de LP e EP ao longo da sua carreira, iniciada em 1942 no Mindelo, cidade onde nasceu a 11 de março de 1932, dez anos antes da sua conterrânea Cesária Évora, falecida a 17 de dezembro de 2011, tendo sido apadrinhado por B.Leza, um dos maiores músicos, poetas e compositores de Cabo Verde.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Começa hoje a música de Verão do Museu do Chiado

A novidade são os nomes, porque o acontecimento já se tornou presença regular na programação lisboeta deste período. Desde há quatro anos que, entre Julho e Agosto, o Museu do Chiado acolhe no Jardim das Esculturas concertos gratuitos ao início da noite. A programação 2013 das Noites de Verão, incluída no programa Lisboa na Rua – Com’Out Lisbon 2013 da Câmara Municipal de Lisboa e elaborada como sempre pela promotora Filho Único, arranca hoje, às 19h30. Até ao final de Agosto, passarão pelo Museu JP Simões, Tó Trips, Braima Galissá ou Carlos Zíngaro.
O início esta tarde será em grande. Será com Lula Pena, mulher de voz impossível e de uma sensibilidade que cruza de forma admirável o fundo fadista, o balanço sul-americano, o romantismo latino e o sentido transcendente magrebino. Não lhe ouvimos nada novo a solo desde Troubador, álbum de 2010. Falamos, porém, de matéria gravada. Em concerto, o espanto com que recebemos a sua música é constantemente renovado.
De hoje até ao final de Agosto, sempre às sextas-feiras, sempre às 19h30 e sempre com entrada livre, seremos presenteados com uma diversidade assinalável de expressões musicais. Dia 12 de Julho, o violinista Carlos Zíngaro, nome de destaque da nossa música contemporânea (é-o desde a década de 1960 em que formou os Plexus), junta-se Carlos Santos, cuja formação começou pelas artes plásticas mas que desde a década de 1990 tem desenvolvido obra nas áreas electrónicas de vanguarda. Uma semana depois, dia 19, ouviremos Aldina Duarte, fadistas das fadistas portuguesas da actualidade, voz que carrega consigo, mais que a tradição, as vozes intemporais que essa tradição preservou. Nascido a um continente de distância, Braima Galissá faz algo semelhante: mas a sua tradição é a cultura mandinga e o instrumento deste guineense radicado em Portugal desde 1998 é a kora, de que é um virtuoso. Este griot, ou seja, alguém que canta a história do seu povo e as lendas que a habitam, chega ao Jardim das Esculturas a 26 de Julho – mais tarde, a 23 de Agosto, chegará outro músico nascido na Guiné-Bissau, Mû, criador multifacetado e construtor de instrumentos originários ou inspirados na cultura do povo Balanta.
A programação inclui ainda JP Simões, dia 23 de Agosto e com o último “Roma” como novidade sumarenta, Tó Trips a solo (16 de Agosto), o duo formado pelo guitarrista Manuel Mota e por Afonso Simões, baterista dos Gala Drop, ou as paisagens cósmicas criadas por Guilherme da Luz, apaixonado pela música kozmische alemã de Popul Vuh ou Klaus Schulze (9 de Agosto).

sábado, 22 de junho de 2013

O Quarteto

Imagine as maiores estrelas da música, após a aposentadoria, reunidas numa mesma casa, reservada apenas a grandes artistas. A premissa é improvável, devido à batalha de egos e à situação financeira confortável destas personalidades, mas o potencial cinematográfico da ideia é grande. Dustin Hoffman, em sua estreia na direção de longas-metragens, prefere não explorar todas as possibilidades da história, e sim oferecer um filme leve, despretensioso, baseado no equilíbrio entre drama e comédia.

Foto - FILM - Quartet : 197486Do quarteto do título, dois músicos encarregam-se da parte cómica, e dois deles cuidam da parte dramática. Billy Connolly interpreta um senhor libidinoso, que se comunica apenas com tiradas irônicas e piadas de conotação sexual. O ator está visivelmente à vontade com este material, e compõe sem esforços o personagem mais divertido do filme. Pauline Collins fornece sua contribuição no papel de uma mulher ingênua, com crises de amnésia, mas sempre disposta a ajudar. Nenhum dos dois ajuda no desenvolvimento da narrativa (eles não têm conflitos próprios), mas eles atribuem a comicidade desejada a cada cena.

Já o drama é gerado por Maggie Smith e Tom Courtenay, interpretando um casal desfeito há décadas. Os dois se apaixonaram, se separaram e agora se reencontram nesta casa. Durante pelo menos 30 minutos, eles se perseguem, esbarram-se nos corredores, olham com remorso um para o outro. É curioso pensar que o cinema contemporâneo está repleto de tramas sobre a convivência comunitária e artística de idosos, geralmente assombradas pela proximidade da morte. No entanto, em O Quarteto, a morte parece distante, improvável. O drama nasce unicamente das feridas amorosas do casal.

Infelizmente, este romance é a parte mais fraca do filme, porque aparece sem contexto, e é superado com uma facilidade espantosa. Numa cena, Reginald (Courtenay) pensa em abandonar a casa para não ter que olhar para Jean (Smith), mas alguns minutos mais tarde eles já conversam pacificamente. Nada é muito realista nesta interação. Além disso, a atuação de ambos é tensa, rígida, deixando pouco espaço à compaixão do espectador. 

Foto - FILM - Quartet : 197486Já a música funciona apenas como coadjuvante na trama. Hoffman fez questão de colocar músicos reais como figurantes, mas esta preocupação é mais simbólica do que efetiva. Canta-se pouco, toca-se ainda menos. O quarteto principal, que teria se tornado famoso com uma interpretação magistral de Rigoletto, nunca revela seus dotes vocais atuais, durante a velhice. Mesmo os ensaios para o aguardado recital são mostrados sem som, criando grande expectativa para a prestação final dos quatro personagens juntos, no palco. (Neste sentido, a solução criada por Hoffman para a última cena é bastante surpreendente).

Apesar destas reservas, a parte cômica, muito mais regular e constante do que a dramática, consegue conferir ao conjunto uma atmosfera lúdica. Hoffman pode não ter conseguido criar uma obra memorável e inovadora, mas certamente orquestrou bem o tom fluido da produção. Com a presença de bons atores coadjuvantes e diálogos afiados, típicos do cínico humor britânico, O Quarteto é uma obra simples, previsível e um tanto irregular, mas ainda assim bastante agradável.

sábado, 15 de junho de 2013

Nome de Código: Paulette

“Paulette”, nome da personagem central, explora através da comédia o encurtamento da distância entre dois mundos que, por natureza, costumavam estar bastante afastados: o da classe média decadente, especialmente quando seus luminares descem ao ponto de ter viver com uma reforma insuficiente, e o dos pequenos criminosos (ou não tão pequenos) dos bairros sociais. Como em tantos filmes, o problema das personagens deixa de ser de ordem moral para ser uma questão de sobrevivência psicológica (mais que económica) diante de uma opressão maior – e vinda de um sistema, ele próprio, muito pouco preocupado com moralidade.   Com um ponto de partida semelhante ao da séria norte-americana “Erva”, segue o percurso de uma senhora já idosa (Bernadette Lafont) que decide vender drogas para sobreviver. Jerôme Enrico torna essa ponte verossímil ao criar, não uma bondosa velhota que resultaria pouco credível, mas uma particularmente desagradável – solitária, rude, cruel e sem meias-palavras na hora de culpar os estrangeiros por tudo aquilo que perdeu. O filme, aliás, vale-se muito de um magnífico desempenho de Lafont – que lança a sua “avozinha ganza” para um seleto clube das velhotas mais terríveis do cinema.   O argumento consegue caraterizar de forma sólida e realista o mundo dos jovens desocupados e pequenos traficantes – inclusive na forma violenta como reagem e como tomam atitudes típicas de criminosos. Por outro lado, Jerôme Enrico, tem uma mão um tanto pesada para a comédia e fracassa em alguns momentos ao não alcançar a leveza pretendida, terminando por padecer de um defeito particularmente importante para uma comédia: não tem grande piada.    De qualquer forma, a comédia francesa, dentro de seu estilo muito particular, normalmente rende mais qualquer coisa do que gargalhadas. Neste caso, funciona melhor enquanto retrato social do que como comédia.  

terça-feira, 11 de junho de 2013

Júlio Pomar recebe doutoramento 'honoris causa'

O pintor Júlio Pomar, 87 anos, vai receber o doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Lisboa no dia 19 de junho, anunciou hoje a instituição de ensino superior.

De acordo com a entidade, a cerimónia de imposição das insígnias do grau de doutor Honoris Causa decorrerá a partir das 18:00 na Aula Magna da Universidade de Lisboa.
Do programa fazem parte um cortejo académico, uma apresentação pela professora Isabel Sabino, da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), um elogio pelo escritor António Lobo Antunes, e uma declamação feita pelo ator Luís Miguel Cintra.
Depois da cerimónia decorrerá ainda um concerto pelo fadista Carlos do Carmo.
Pintor e escultor, nascido em Lisboa, em 1926, Júlio Pomar é um dos criadores de referência da arte moderna e contemporânea do país, e continua a pintar no seu ateliê, na capital.
Estudou na escola de artes decorativas António Arroio e nas escolas de Belas Artes de Lisboa e Porto, mudando-se para Paris em 1963.

sábado, 8 de junho de 2013

Exposição faz revelação na obra de Camões

"A grande revelação desta exposição é que mostra duas impressões feitas em Goa, do mesmo ano e do mesmo impressor, de 'Coloquios dos simples', de Garcia de Orta, em que há duas versões diferentes da ode de Camões", disse Alves Dias, que fez a investigação e organizou a exposição que estará patente a partir de segunda-feira, na sala de referência da Biblioteca Nacional, em Lisboa.
"Identifiquei duas edições ou impressões dos Colóquios de Garcia de Orta, a A e B, feitas no mesmo tipo de material que não existe em Lisboa e só em Goa, ambas do mesmo ano e do mesmo tipógrafo, o alemão Johann de Enden, que havia pouco tempo instalara o seu prelo na Índia portuguesa", explicou o historiador.
Entre as duas edições, Alves Dias assinalou algumas diferenças, nomeadamente erros que, numa edição, existem e na outra foram corrigidos, levando-o a considerar como "2.ª edição ou edição B", aquela em que não são notados os erros. A ode, pedindo a proteção para um livro de um amigo, é o primeiro poema de Luís de Camões que foi publicado, e "integra o conjunto de paratextos dos 'Coloquios dos simples, e drogas he cousas medicinais da India', de Garcia de Orta".
"Como no século XVI os livros eram publicados em folhas soltas e não encadernados, fez com que, ao longo dos tempos, se fossem misturando folhas de uma e de outra edição, e daí ninguém ter dado conta destas alterações", disse o historiador que, desde janeiro, estudou minuciosamente 22 das 25 edições conhecidas dos "Coloquios", de Garcia de Resende. A 1.ª versão "tem muitas gralhas" e "há, na segunda edição, muitas coisas que foram recompostas", disse Alves Dias que rematou: "Entre uma e outra há textos corrigidos e outros rescritos".
No tocante à ode camoniana, Alves Dias afirmou que, de uma para outra edição, "modifica-se muito a grafia e a pontuação, mas apenas uma palavra é alterada e com ela o sentido". A alteração das palavras é "malícia" por "melícia", "mas ambas podem fazer sentido, porque se fala de um deus guerreiro que curava e que era chefe de guerra, ora era perito em melícia como militar, e em malícia no sentido de curar o mal", explicou o historiador. "A segunda versão diz 'malícia' e a primeira 'melícia', e isto nunca foi visto até hoje", disse o historiador. Na Biblioteca Nacional estarão expostos estes dois exemplares do século XVI, assim como "toda a Lírica de Camões publicada até 1688, as denominadas 'Rimas'".