quinta-feira, 12 de maio de 2011

O Lisboa-Dakar de David Adjaye

De que são feitas as cidades africanas? De mesquitas e "souks", de igrejas e moderníssimos centros comerciais, de influências europeias do modernismo à Art Déco, de apartamentos de luxo e subúrbios de miséria, de planeamento e de caos, de natureza e de guerra, de pós-guerra e de esperanças renascidas.
Durante dez anos, David Adjaye, arquitecto britânico nascido em 1966 na Tanzânia, viajou pelas capitais africanas e fotografou-as. São essas imagens, e o seu olhar sobre a matéria da qual são feitas as cidades em África, que chegam agora a Lisboa na exposição "Urban Africa - Uma viagem fotográfica por David Adjaye", organizada originalmente pelo Design Museum de Londres e trazida a Portugal pelo Africa.cont. Estará de 25 de Maio a 31 de Julho no Pavilhão Preto do Museu da Cidade.

É um retrato da África urbana que parte de uma procura pessoal "motivada pelo escasso conhecimento existente dos ambientes construídos no continente africano", explica o texto de apresentação. Não é um estudo académico, mas sim o ponto de vista de um arquitecto (que tem um projecto previsto para Lisboa, precisamente a sede do África.cont), com as suas preocupações próprias, sobre a imensa diversidade do continente em que nasceu.

"Procuro uma certa ingenuidade, procuro ser surpreendido", explica Adjaye. "Esta posição volátil permite-me observar de forma mais exacta. Quando aterro num lugar, entro num táxi local e passo o dia inteiro a deslocar-me de um lado para o outro da cidade. Identifico a escala da cidade e os seus critérios-chave. Não se trata de encontrar edifícios de que gosto ou que acho interessantes; tento honestamente descobrir onde se encontra a arquitectura civil, onde se encontra a arquitectura comercial e onde se encontra a arquitectura residencial e, devido à câmara digital, fotografo o que existe, o que vejo".

1 comentário:

Alexandre Correia disse...

Olá Bé,

Depois de já ter feito tantas vezes essa viagem, desde Lisboa a Dakar e vice-versa, fico com imensa curiosidade em ver esta exposição. Nem que seja para matar saudades dessa rota e redespertar as memórias de tantos momentos inesquecíveis que vivi nessas viagens...

Beijo,

Alexandre Correia