segunda-feira, 22 de junho de 2009

Périplo


Das montanhas do Iémen aos desertos da Líbia, dos cemitérios do Cairo aos rios da Mesopotâmia, dos "souks" de Alepo aos palácios de Petra, o livro "Périplo" vai até onde acaba a oliveira na margem sul do Mediterrâneo.
A série documental que Miguel Portas fez em 2003-4 com o realizador Camilo Azevedo tinha as duas margens do Mediterrâneo e vem em DVD no fim do livro. Mas o que agora está em 350 páginas de texto e fotografias é outra coisa, antes e além das filmagens. Algo entre o ensaio histórico e a viagem, um périplo no tempo e nestes espaços sem paralelo em Portugal. O Norte ficará para um futuro volume.
Camilo Azevedo fez a maior parte das fotografias em viagens de pesquisa, antes de filmar. Miguel Portas escreveu o texto depois da série, muitas vezes recorrendo a viagens posteriores. Há lugares que estão no livro e não estão na série, como Jerusalém. Texto e fotografia são dois discursos paralelos, que frequentemente confluem.
Neste mundo maioritariamente islâmico, mas também judeu e cristão, o ateu Miguel Portas demora-se nas religiões, e defende ao longo do livro a necessidade de dialogar com elas. Não o fazer é ignorar a maioria, e isso foi o que a esquerda fez, erradamente, quando pactuou com as ditaduras nacionalistas árabes. E os pobres voltaram-se para o islamismo político.
Miguel Portas diz que gostava de ter lançado "Périplo" semanas antes da campanha oficial para as europeias, mas o livro ficou pronto apenas dias antes. As duas primeiras apresentações, em Lisboa e Mértola, acabaram por aparecer no portal do Bloco de Esquerda, confundindo-se com a campanha. "Mas ainda não era campanha oficial", justifica Portas. "O lançamento em Coimbra, já em plena campanha, não o anunciei." De resto, diz, "é uma questão de pura formalidade", porque a pré-campanha já vem de Outubro. "As pessoas têm várias dimensões e nunca dissociei as partidárias e as não-partidárias, desde que cumpra a lei."
Portas diz ainda que "O Sul do Mediterrâneo andou devagar milhares de anos. De repente, levou com colonialismo, ditaduras, globalização - e refugiou-se nas mesquitas. A esquerda tem culpa." reconhece ainda Miguel.

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