O brasileiro Daniel Rezende lançou-se no desafio pouco facil de adaptar uma obra literaria ao cinema. Sabemos que de todos os livros transformados em filmes, os ultimos sao sempre o elo mais fraco. E neste seu desafio, Daniel Rezende apresenta-nos um romance fragmentado, poético e feito de inumeras vozes que dao vida à solidao, à dor e ao preconceito. Fiel à historia original, o resultado foi obrigatoriamente poético. Eis a historia: Crisóstomo, um pescador solitário sonha ter um filho, e encontra em Camilo, um menino órfão, a oportunidade de construir a sua família. Isaura, uma mulher que foge à sua angustia existencial, é casada com Antonino, um homem que anseia assumir a sua verdadeira orientaçao sexual e ser aceite. Juntos, estas personagens formam um nucleo afetivo que nasce da empatia e do respeito, e afastam-se cada vez mais das relaçoes com origem nos laços sanguíneos, onde domina o preconceito e a discriminaçao. A fotografia atribui ao filme um misticismo entre o real e o fantastico, e a musica a cargo de Fábio Góes, polvilha o enredo de uma suavidade melancólica, adensando o peso emocional dos momentos silenciosos da historia. No entanto, se em certos momentos a poesia sustenta a narrativa com força suficiente, em outros, seria necessário um aprofundamento maior nas relações e nos conflitos internos das personagens. Em resumo, O Filho de Mil Homens é um exercício de delicadeza, imaginação e sensibilidade, onde a essência do livro foi bem capturada, justificando-se assim que, o cinema tambem pode ser palco de poesia ao dar forma a um universo literario tao lirico como o de Valter Hugo Mae.
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