domingo, 16 de março de 2025

May December

 

O novo filme de Todd Haynes constrói-se nos contrastes das zonas cinzentas entre a moral, a política e a cultura. A história é meio sombria e perturbadora, inspirada na historia real de Mary Kay Letourneau, uma professora que em 1996 se tornou conhecida de todos por seduzir um aluno de 12 anos. Apesar das similaridades, May December distancia-se bastante do caso de Letourneau a ponto de desprender-se de qualquer tipo de imitaçao. Os diálogos e a banda sonora escolhida aparecem para transformar a história, gradualmente, numa especie de pesadelo gélido: tudo é cronometrado com base na música, o movimento da câmera, os movimentos dos atores... tudo. O mais importante do filme  talvez seja a interpretação das duas protagonistas: Moore e Portman. A malícia e o desejo que transparecem nas interpretações de ambas identificam-se exatamente com a intensidade das suas personalidades. Porque detràs da vida simples e doméstica de Gracie está um crime terrível, que, por sua vez, é justificado pela sua ingenuidade. Elizabeth, por outro lado, é o falso espelho que se recusa a reconhecer o papel que interpreta naquelas vidas. É como se estivéssemos a assitir a dois filmes sobrepostos, um que propõe a ideia e outro que propoe a critica. May December é definitivamente um clássico contemporâneo. O resultado é um filme desconfortável – mas nada explosivo – que traz de volta ao cinema a incerteza em um momento em que tudo é afirmaçao.

sábado, 15 de março de 2025

Beetlejuice Beetlejuice

Beetlejuice Beetlejuice està de regresso apos 36 anos e convém concordar que este é o melhor filme de Tim Burton.  A nova versao de 2024, hà muito esperada, é uma viagem alucinante entre as poucas mudanças efetuadas e as memorias que temos do primeiro filme. Nao hà nada de novo acrescentado, nem tao pouco alteraçoes ao nivel da direçao do filme, mas é bastante agradavel exercitar a nossa nostalgia com passeios por velhos lugares. Temos aqui uma verdadeira homenagem ao seu antecessor, um verdadeiro presente para todos os fäs: sendo mais brilhante e menos caseiro do que o original de 1988, ainda há vestigios de  genialidade- uma sequência de animação em stop-motion, alguns efeitos maravilhosos de próteses de cabeças encolhidas e duas cenas de nascimento alucinantes. É em momentos como estes, quando Burton realmente deixa voar a sua excentricidade, que Beetlejuice Beetlejuice se destaca.